Os ovos de galinhas criadas ao ar livre estão mais caros em Portugal, com um aumento próximo de um euro por meia dúzia desde 2022, mas mantêm níveis de qualidade considerados elevados. A conclusão resulta de uma análise da DECO PROteste, que avaliou nove marcas disponíveis no mercado nacional.
Seguno os dados da organização de defesa do consumidor, o preço destes ovos acompanhou a escalada do cabaz alimentar. Em janeiro de 2022, meia dúzia custava 1,14 euros. Atualmente, o valor médio situa-se nos 2,12 euros.
A subida é expressiva e coloca a questão sobre a relação entre preço e qualidade, sobretudo num contexto de maior pressão sobre o orçamento das famílias.
Qualidade em alta, com reservas na casca
A DECO PROteste analisou nove marcas de ovos de galinhas criadas ao ar livre e concluiu que a frescura é garantida. Segundo a mesma fonte, não foram encontradas bactérias patogénicas nem no interior nem no exterior dos ovos.
A avaliação, contudo, identificou um aspeto menos positivo. Em cinco das marcas testadas, alguns ovos apresentavam sujidade visível na casca. De acordo com a organização, esta situação, além de pouco apelativa, pode aumentar a probabilidade de contaminação.
A publicação explica que a casca é a principal via de entrada de bactérias potencialmente patogénicas, como a salmonela. Por isso, recomenda-se que os ovos não sejam partidos diretamente na taça onde serão preparados alimentos que não vão ser cozinhados.
Ainda assim, segundo a DECO PROteste, a qualidade global dos ovos analisados é considerada boa, independentemente do modo de criação das galinhas.
O que significa, afinal, “ao ar livre”?
Para muitos consumidores, a designação “ao ar livre” está associada a melhores condições de bem-estar animal. No entanto, o enquadramento legal admite exceções.
De acordo com a organização, a legislação estabelece que as galinhas devem ter acesso contínuo ao exterior durante o dia. Contudo, permite restrições por períodos limitados nas horas matinais, com base em boas práticas agrícolas.
Segundo a mesma fonte, esta formulação não define critérios objetivos claros, o que pode dificultar mecanismos de fiscalização rigorosos. Na prática, o tempo efetivo que as galinhas passam fora dos pavilhões pode variar consoante o produtor.
A DECO PROteste alerta que esta flexibilidade pode enfraquecer a confiança do consumidor que associa a designação “ao ar livre” a condições efetivas de acesso regular ao exterior.
A melhor marca no teste
Apesar do aumento de preço, os resultados do teste foram globalmente positivos. De acordo com o site da DECO PROteste, os ovos analisados atingiram um patamar de qualidade considerado elevado.
Entre as nove marcas avaliadas, uma destacou-se. Segundo a publicação, a marca do Aldi obteve a melhor classificação no conjunto dos critérios analisados.
A decisão final cabe ao consumidor. O preço subiu de forma significativa, a qualidade mantém-se consistente e o rótulo “ao ar livre” continua a suscitar debate. Entre perceção, confiança e orçamento, a escolha pode ser menos simples do que parece à primeira vista.
Leia também: Estudo revela que mais de metade dos doentes referenciados para cuidados paliativos morreram à espera
















