O mapa das doenças infecciosas no continente europeu está a ser profundamente redesenhado e a ganhar novos contornos. Portugal enfrenta agora uma realidade de saúde pública diferente com a aproximação de vírus que antes estavam circunscritos a regiões tropicais muito distantes. O alerta para esta mudança de cenário foi dado pelas mais altas autoridades de saúde da Europa e exige a atenção de todos.
Segundo os dados mais recentes e os mapas de vigilância do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), Portugal está agora incluído na zona de risco para a transmissão autóctone do vírus Chikungunya. Esta nova classificação deve-se à presença estabelecida e crescente do vetor transmissor em várias regiões do sul da Europa, incluindo a Península Ibérica.
O responsável direto por esta ameaça emergente é o Aedes albopictus, mais conhecido pelo nome comum de mosquito tigre. Esta espécie invasora tem encontrado condições cada vez mais favoráveis para sobreviver e se reproduzir em latitudes muito acima do seu habitat natural original. A sua capacidade de adaptação tem surpreendido os especialistas em entomologia e saúde pública.
O aumento global das temperaturas médias e a alteração dos padrões de pluviosidade estão a abrir as portas para que este inseto se estabeleça de forma permanente em regiões como o Algarve. O ECDC nota que os verões mais longos e quentes, aliados a invernos mais suaves, criam o caldo de cultura perfeito para a proliferação destes mosquitos em todo o sul do continente.
O que é esta doença e quais os sintomas
O Chikungunya é uma doença viral que, embora raramente seja fatal, pode ser extremamente debilitante e causar grande sofrimento. O início da infeção é geralmente súbito e caracteriza-se por febre alta e um mal estar físico intenso que atira o paciente para a cama. É uma condição que exige repouso absoluto e gestão cuidada dos sintomas.
O sintoma mais distintivo e doloroso desta doença é a dor articular severa, que pode ser incapacitante durante vários dias ou semanas. O próprio nome do vírus deriva de uma palavra na língua Makonde que significa “ficar contorcido”, descrevendo na perfeição a postura de sofrimento que os pacientes adotam devido às dores intensas nas articulações.
Outros sintomas muito comuns incluem dores musculares generalizadas, dores de cabeça fortes, náuseas, fadiga extrema e erupções cutâneas na pele. Estes sinais clínicos costumam aparecer entre quatro a oito dias após a picada de um mosquito infetado, sendo esse o período de incubação mais habitual.
Embora a grande maioria dos pacientes recupere totalmente sem sequelas, em alguns casos a dor nas articulações pode persistir de forma crónica durante vários meses ou até mesmo anos. Este potencial para causar incapacidade prolongada torna a prevenção uma prioridade absoluta para as autoridades de saúde nacionais e europeias.
Medidas de prevenção essenciais
Uma vez que não existe atualmente nenhuma vacina comercializada nem um tratamento antiviral específico para o Chikungunya, a única estratégia eficaz é evitar as picadas. O combate a este vírus passa obrigatoriamente por uma atitude proativa de prevenção por parte de toda a população, especialmente durante os meses mais quentes do ano.
A medida mais importante e eficaz a nível comunitário é a eliminação de todas as águas paradas em redor das habitações e nos jardins. Estes locais são os pontos de reprodução preferenciais do mosquito tigre. Vasos de flores, baldes, caleiras entupidas ou qualquer recipiente que acumule água da chuva ou de rega devem ser esvaziados regularmente.
A proteção individual diária
A nível pessoal, o uso de repelentes de insetos aprovados nas áreas de pele exposta é altamente recomendado nas zonas de risco identificadas. O uso de roupa clara que cubra a maior parte do corpo e a instalação de redes mosquiteiras nas janelas e portas de casa também fornecem barreiras físicas cruciais contra o mosquito.
A monitorização contínua realizada pelo ECDC sublinha que esta é uma questão de saúde pública em pleno desenvolvimento e que veio para ficar. Adaptar os nossos hábitos diários a esta nova realidade trazida pelas alterações climáticas é essencial para minimizar o impacto destas doenças emergentes em território nacional.
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