Uma massa de ar polar continental proveniente do interior da Eurásia poderá invadir grande parte da Europa durante a semana do Natal, trazendo temperaturas invulgarmente baixas para a época. O cenário, ainda envolto em incerteza, começa a ganhar consistência nos principais modelos de previsão e levanta uma questão central: até que ponto este frio extremo poderá alcançar Portugal.
Ao longo dos próximos dias, o território continental português continuará sob influência atlântica, com sucessivas frentes frias responsáveis por períodos de chuva, queda de neve nas terras altas e oscilações térmicas. Mas, mais a Leste, o desenho atmosférico começa a alterar-se de forma significativa.
De acordo com o Meteored, site especializado em meteorologia e análise de modelos atmosféricos, a corrente de jato polar deverá sofrer ondulações acentuadas, favorecendo a instalação de um bloqueio anticiclónico em latitudes mais elevadas da Europa.
Um bloqueio que abre a porta ao frio continental
Esse bloqueio, a confirmar-se, deverá estender-se entre a Europa Central, a Escandinávia, a Islândia e as Ilhas Britânicas. A presença persistente de altas pressões nesta faixa geográfica funcionaria como uma barreira às circulações habituais de Oeste, forçando as baixas pressões a deslocarem-se mais para sul. É nesse corredor que poderia ser canalizado ar muito frio de origem continental, empurrado desde a Rússia e, em alguns cenários, desde regiões siberianas.
Os mapas de previsão apontam para a possibilidade de temperaturas muito baixas a cerca de 1500 metros de altitude, com a isoterma de menos 12 graus a alcançar países do Leste europeu e a de menos 8 graus a cobrir uma vasta área do continente, incluindo partes da Europa Ocidental. Segundo a mesma fonte, este padrão poderia dar origem a uma vaga de frio generalizada, marcada por geadas fortes e persistentes.
Frio intenso, mas nem sempre acompanhado de neve
Apesar do carácter extremo das temperaturas previstas, a precipitação associada a este tipo de massa de ar tende a ser reduzida. A natureza continental do ar frio limita a disponibilidade de humidade, o que significa que a neve só ocorrerá de forma mais expressiva nas regiões onde o ar atravessa superfícies de água relevantes, como mares ou grandes lagos, antes de atingir terra.
Em grande parte da Europa Central e Oriental, o impacto sentir-se-á sobretudo através do frio seco. Já no Sul do continente, o comportamento das baixas pressões será determinante para definir se o frio chega isolado ou em combinação com precipitação.
Portugal entre o Atlântico e o continente
No caso português, o desfecho permanece em aberto. A posição geográfica da Península Ibérica faz com que o ar continental chegue, regra geral, mais mitigado do que noutras latitudes. Um dos cenários em cima da mesa aponta para a formação de depressões próximas da Península, mantendo o fluxo atlântico e temperaturas relativamente mais suaves, ainda que com chuva frequente.
Existe, no entanto, a possibilidade de interacções mais complexas. Se bolsas de ar frio ou centros depressionários arrastarem a língua de ar continental para oeste, o frio poderá coincidir com precipitação, um cenário menos comum em Portugal continental, mas não impossível. Nesse caso, poderia verificar-se queda de neve a cotas mais baixas do que o habitual.
No estado actual da previsão, os meteorologistas sublinham a elevada incerteza associada a este tipo de configuração atmosférica. Ainda assim, segundo o Meteored, a tendência dominante aponta para um final de dezembro mais frio do que o normal, com sinais de instabilidade que justificam acompanhamento atento nos próximos dias.
















