O arranque do processo de classificação dos exames nacionais está a ser marcado por constrangimentos técnicos e por relatos que levantam dúvidas sobre a organização do sistema. A polémica ganhou força depois de surgirem denúncias de professores colocados a corrigir provas fora da sua área de especialização, numa fase decisiva para milhares de alunos.
De acordo com a agência de notícias Lusa, o Júri Nacional de Exames anunciou que a distribuição das provas aos classificadores arranca de forma gradual a partir desta segunda-feira, 29 de junho, numa tentativa de recuperar de dificuldades técnicas que afetaram o novo modelo digital de correção.
Este ano trouxe uma mudança estrutural na forma como os exames são avaliados. Embora os alunos continuem a responder à mão, as folhas são agora digitalizadas e inseridas numa plataforma onde os professores fazem a correção. O novo formato, explica a mesma fonte, aplica-se à maioria das disciplinas, com exceção de Geometria Descritiva A e Desenho A. A alteração pretendia agilizar processos, mas acabou por expor fragilidades logo no arranque.
Atrasos começaram cedo
Ainda antes da distribuição das provas, já tinham sido registados problemas. A Federação Nacional de Professores tinha denunciado atrasos na atribuição das credenciais de acesso aos classificadores de Português, situação que gerou preocupação entre docentes e escolas. Segundo o Júri Nacional de Exames, o sistema está agora “em fase de recuperação”, com a promessa de manter os prazos habituais. Cada exame continuará a ter, em média, dez dias úteis para ser classificado.
Mas a principal controvérsia surgiu fora do comunicado oficial. Em entrevista à SIC, Cristina Mota, diretora do movimento Missão Escola Pública, revelou uma situação que está a gerar forte discussão no setor. “Professores da disciplina de Geografia foram convocados para classificar provas de Francês”, afirmou. A declaração levantou dúvidas sobre os critérios usados na distribuição e sobre a preparação da plataforma para fazer essa gestão.
Preocupação no meio educativo
A situação está a ser vista com inquietação por parte de professores e direções escolares, numa altura em que o processo de avaliação entra numa fase crítica. A possibilidade de erros na afetação dos classificadores pode comprometer a confiança no modelo. O Júri Nacional de Exames pediu que escolas e docentes aguardem “com tranquilidade” novas informações sobre a disponibilização das provas.
Apesar dos constrangimentos, o calendário oficial mantém-se. A primeira fase dos exames decorreu entre 16 e 26 de junho e os resultados serão conhecidos a 14 de julho. A segunda fase arranca a 16 de julho. Uma semana depois da divulgação das notas, começam as candidaturas ao ensino superior. Este ano, escreve a Lusa, estão disponíveis 78.283 vagas nas instituições públicas, das quais 56.790 no regime geral.
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