A possibilidade de um novo apagão ibérico voltou a ser discutida depois de a Red Eléctrica de España ter reportado, no final de 2025, variações bruscas de tensão na rede elétrica peninsular. Embora não exista indicação de um colapso iminente em março de 2026, o alerta técnico lançado pelas autoridades espanholas mantém-se relevante num sistema elétrico cada vez mais complexo e interligado com Portugal.
De acordo com informação divulgada na altura pela própria operadora espanhola, nas semanas seguintes ao apagão de 28 de abril de 2025 foram registadas oscilações súbitas de tensão que, apesar de terem permanecido dentro dos limites legais, apresentavam características consideradas preocupantes do ponto de vista da estabilidade do sistema.
A situação levou a Red Eléctrica a solicitar formalmente à Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência de Espanha a revisão urgente de procedimentos operacionais, com o objetivo de prevenir falhas em cascata semelhantes às que conduziram ao colapso de abril.
O que aconteceu no apagão de abril de 2025
O incidente de 28 de abril de 2025 foi um dos mais graves das últimas décadas na Península Ibérica. Milhões de pessoas em Portugal e Espanha ficaram sem eletricidade durante várias horas, afetando transportes, comunicações e serviços essenciais.
Segundo o relatório técnico divulgado posteriormente, a origem do problema esteve na desconexão quase simultânea de várias centrais de energia renovável, o que provocou um desequilíbrio abrupto entre produção e consumo. Essa quebra desencadeou desligamentos automáticos sucessivos e levou à perda de sincronismo com a rede elétrica continental europeia.
O episódio expôs vulnerabilidades num sistema cada vez mais dependente de fontes renováveis intermitentes, como a energia solar e eólica.
Oscilações recentes reacendem preocupações
No comunicado emitido em outubro de 2025, a Red Eléctrica referiu que as variações registadas poderiam, em determinadas circunstâncias, desencadear desligamentos automáticos de consumo e produção. Em cadeia, esses desligamentos poderiam comprometer a estabilidade global da rede.
A Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência confirmou ter recebido a notificação e reconheceu que as variações recentes representavam um potencial risco técnico, sublinhando a necessidade de reforçar os mecanismos de resposta.
Importa, contudo, clarificar que não foi emitido qualquer aviso de apagão iminente em 2026. O alerta teve natureza preventiva e visou ajustar protocolos de segurança e monitorização.
Transição energética aumenta complexidade
O crescimento acelerado da produção renovável é apontado por vários especialistas como um dos fatores que exige maior sofisticação na gestão da rede elétrica. Fontes eólicas e solares são dependentes de condições meteorológicas e podem variar significativamente em curtos períodos de tempo.
Segundo o relatório técnico citado na altura, a evolução do sistema elétrico peninsular levou ao aparecimento de dinâmicas mais sensíveis, exigindo tecnologia avançada de compensação e controlo em tempo real.
Portugal e Espanha partilham a mesma infraestrutura elétrica, o que significa que qualquer perturbação relevante num dos países pode ter impacto imediato no outro.
Há risco real neste momento?
Em março de 2026, não existem indicações públicas de que esteja previsto um novo colapso da rede elétrica ibérica. O que permanece é a consciência técnica de que o sistema requer vigilância contínua e atualização constante de protocolos.
O alerta emitido no final de 2025 funcionou como sinal de precaução, num contexto em que a integração de renováveis, o aumento da procura energética e a interligação europeia tornam o equilíbrio da rede mais exigente.
O episódio recorda que a transição energética não é apenas uma questão de sustentabilidade ambiental, mas também de estabilidade operacional. Evitar novos apagões depende da capacidade de antecipação, investimento tecnológico e cooperação entre operadores e reguladores.
Para já, o sistema mantém-se operacional e sob monitorização. Mas o debate sobre a robustez da rede elétrica ibérica continua aberto.
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