É no centro de uma rua na baixa de Lisboa que existe um espaço subterrâneo raro que abre ao público apenas em momentos específicos do ano, atraindo centenas de visitantes. Trata-se das Galerias Romanas da Rua da Prata, um conjunto arqueológico com mais de 2.000 anos que, em 2026, não estará acessível em abril, como tem sido habitual.
De acordo com o portal Lisboa Secreta, a alteração prende-se com a necessidade de melhorar as condições de visita. A decisão implica uma mudança no calendário habitual, surpreendendo quem aguardava a reabertura nesta altura do ano.
O acesso às galerias está longe de ser regular. Segundo a mesma fonte, este espaço subterrâneo apenas abre ao público em momentos muito específicos, normalmente duas vezes por ano. A limitação deve-se às condições naturais do local. Refere a mesma fonte que o interior permanece, na maior parte do tempo, com um nível de água que pode atingir cerca de um metro de altura, tornando inviáveis visitas frequentes.
Processo raro e exigente
Para permitir a entrada de visitantes, é necessário preparar o espaço com antecedência. Escreve o site que, antes de cada abertura, é feita a drenagem completa da água acumulada no interior.
Este processo condiciona o número de ocasiões em que as galerias podem ser visitadas. Conforme a mesma fonte, é precisamente essa operação que permite transformar temporariamente o local num espaço acessível ao público.
A decisão de não abrir em abril está relacionada com melhorias na experiência dos visitantes. O objetivo passa por garantir melhores condições para as centenas de pessoas que habitualmente procuram este espaço. “A razão faz bastante sentido: oferecer às centenas de visitantes melhores condições de visita”, refere a publicação, justificando o adiamento da abertura habitual.
Um “tesouro” escondido na cidade
As Galerias Romanas são frequentemente descritas como um dos segredos mais bem guardados de Lisboa. Segundo a mesma fonte, tratam-se de estruturas subterrâneas que permanecem invisíveis durante grande parte do ano. Lisboa “ainda guarda segredos subterrâneos como este, um verdadeiro tesouro”, escreve o site, destacando o interesse histórico e o caráter invulgar da visita.
A descoberta deste espaço remonta ao século XVIII. Refere a mesma fonte que, mais tarde, no início do século XX, as galerias foram utilizadas como conservas de água na zona da Rua da Prata. O conjunto corresponde a um criptopórtico, uma estrutura construída para sustentar os edifícios à superfície. Este tipo de construção era comum em áreas urbanas com forte atividade.
Ligação ao passado da cidade
A localização próxima do rio Tejo ajuda a explicar a existência de várias infraestruturas na zona. Há indícios de atividades ligadas à produção e preparação de pescado, bem como de áreas de armazenamento. Estas evidências reforçam a importância da baixa de Lisboa como ponto estratégico nas redes de comércio antigas, com ligação direta ao rio.
O acesso às galerias é também limitado pelo número de visitantes. Acrescenta o portal Lisboa Secreta que os bilhetes costumam esgotar rapidamente sempre que são disponibilizados. Para já, ainda não existem informações sobre a próxima abertura nem sobre a venda de ingressos. Os detalhes deverão ser divulgados posteriormente.
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