O hábito de envolver cartões de crédito em papel de alumínio está a ganhar popularidade nas redes sociais, depois de vários vídeos terem sugerido que esta prática pode impedir roubos de dados em pagamentos contactless. A teoria está ligada às tecnologias NFC e RFID, utilizadas nos cartões bancários sem contacto, mas especialistas em cibersegurança garantem que o cenário não é tão simples quanto parece.
De acordo com o portal especializado na área do marketing, Marketeer, o truque viral apresenta o papel de alumínio como uma forma de bloquear sinais eletromagnéticos emitidos pelos cartões, impedindo que dispositivos próximos consigam ler os dados bancários à distância.
Receio dos pagamentos sem contacto
A popularização dos pagamentos contactless trouxe maior rapidez nas compras do dia a dia, mas também levantou dúvidas relacionadas com a segurança dos dados. Muitas pessoas passaram a recear a possibilidade de alguém conseguir captar informações bancárias apenas aproximando um leitor do cartão.
Segundo a mesma fonte, essa preocupação está associada às tecnologias NFC e RFID, que permitem efetuar pagamentos sem necessidade de inserir o cartão no terminal ou introduzir o PIN em operações de baixo valor.
Papel de alumínio entrou na equação
Nas redes sociais começaram então a surgir vídeos que aconselham os utilizadores a envolver os cartões em papel de alumínio. A ideia é criar uma espécie de barreira física contra sinais externos. Escreve a publicação que esta teoria se baseia no conceito de “gaiola de Faraday”, um sistema conhecido por bloquear determinados campos eletromagnéticos e reduzir a transmissão de sinais.
Apesar da popularidade do truque, especialistas em cibersegurança alertam que este tipo de ataque não é dos mais comuns. Acrescenta a publicação que o chamado skimming sem contacto exige uma grande proximidade entre o leitor e o cartão. Além disso, a leitura remota de dados através deste método tem limitações técnicas e não representa a principal forma de fraude associada aos cartões bancários.
Riscos mais frequentes estão noutro lado
Na prática, a maioria das fraudes digitais acontece através de outros mecanismos mais conhecidos. O phishing, os sites falsos e o roubo de credenciais continuam a ser alguns dos métodos mais utilizados por criminosos informáticos. Conforme a mesma fonte, também as fugas de dados e os esquemas de engenharia social representam riscos mais relevantes do que a leitura clandestina de cartões contactless em espaços públicos.
A rápida disseminação deste truque mostra como temas ligados à segurança digital conseguem ganhar visibilidade em pouco tempo nas plataformas sociais. Muitos utilizadores partilham soluções simples sem confirmar se o impacto real corresponde ao que é apresentado nos vídeos. Ao mesmo tempo, refere a publicação, a preocupação crescente com a proteção de dados pessoais faz com que conteúdos relacionados com fraudes bancárias despertem atenção imediata.
Entre prevenção e exagero
Embora o papel de alumínio possa dificultar certos tipos de leitura por proximidade, os especialistas defendem que isso não deve substituir medidas de segurança mais importantes. Monitorizar movimentos bancários, evitar links suspeitos e proteger palavras-passe continua a ser essencial.
Segundo o portal Marketeer, a ameaça associada ao skimming contactless existe, mas a sua ocorrência é considerada reduzida quando comparada com outros tipos de fraude digital atualmente mais disseminados.
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