Dua Lipa juntou-se à Livraria Lello, no Porto, para criar um espaço dedicado a obras literárias que foram proibidas, censuradas ou alvo de contestação ao longo da história. A Biblioteca Manifesto abre ao público este sábado, 27 de junho, durante o festival literário Babell.
De acordo com o Expresso, o novo espaço ficará no interior da histórica livraria portuense e reunirá cerca de uma centena de livros. A iniciativa pretende destacar obras que, segundo a organização, desafiam “o poder, a censura, a exclusão e a narrativa dominante”.
Espaço nasce do clube de leitura da artista
A Biblioteca Manifesto é uma extensão do Service95 Book Club, clube de leitura lançado por Dua Lipa em 2023. A artista britânica tem vindo a associar o projeto à promoção da leitura e à divulgação de obras de diferentes geografias, autores e contextos culturais.
Em comunicado, Dua Lipa descreve a Livraria Lello como “o lar perfeito” para este novo espaço, lembrando que a livraria é, há mais de um século, uma fonte de inspiração para escritores, leitores e visitantes de todo o mundo.
A cantora sublinha ainda que ler permite aproximar pessoas e compreender melhor o mundo, mas recorda que nem todos defendem essa liberdade da mesma forma.
Cem livros que fizeram perguntas difíceis
Na Biblioteca Manifesto, os visitantes vão encontrar cerca de cem livros que, nas palavras da artista, “colocam questões ou que foram questionados”.
Algumas obras terão sido proibidas em escolas por abordarem temas raciais ou ligados à sexualidade. Outras, escritas para leitores LGBTQIA+, foram impedidas de serem expostas em determinados contextos.
Há ainda casos mais extremos, em que autores enfrentaram perseguição ou pagaram um preço elevado pelas palavras que escreveram. A proposta do espaço é dar visibilidade a essas obras e ao debate que continuam a provocar.
Um santuário para livros censurados
Dua Lipa define a Biblioteca Manifesto como um santuário dedicado aos livros que desapareceram, aos autores que desafiaram estruturas de poder e aos leitores que recusam que lhes digam o que podem ou não podem ler.
A artista considera que, por vezes, o ato mais subversivo pode ser simplesmente ler um livro e falar sobre ele. A frase resume o espírito do projeto, que junta literatura, liberdade de expressão e memória cultural.
O espaço deverá funcionar também como ponto de reflexão sobre a censura, a exclusão e a forma como determinados livros continuam a provocar resistência em várias partes do mundo.
Livraria Lello destaca liberdade da leitura
Francisca Pedro Pinto, diretora da marca da Livraria Lello, afirma que a livraria assenta há 120 anos numa convicção simples: “o livro é uma tecnologia de liberdade”.
Segundo a responsável, a Biblioteca Manifesto nasce dessa mesma ideia. Para a Livraria Lello, o que está em causa não é apenas o futuro da leitura, mas também a capacidade de uma sociedade imaginar, interpretar e construir o seu próprio futuro.
A ligação entre Dua Lipa e a Livraria Lello não surge do nada. A artista já tinha incluído o espaço portuense na sua lista de locais de “passagem obrigatória”, criada em parceria com o Google Maps.
Porto recebe nomes fortes da literatura
A inauguração acontece durante o Babell, evento literário organizado esta semana pela Livraria Lello no Porto. O festival conta com a presença de nomes internacionais de grande peso.
Entre os convidados estão Salman Rushdie, Margaret Atwood e os Prémios Nobel Olga Tokarczuk e László Krasznahorkai.
Com a Biblioteca Manifesto, a Livraria Lello reforça a sua ligação à literatura internacional e ao debate sobre liberdade de expressão. Para os visitantes, o novo espaço será também uma oportunidade para descobrir livros que, em diferentes momentos, foram considerados incómodos, perigosos ou simplesmente demasiado livres.
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