Há cerca de duas décadas, um conjunto restrito de restaurantes foi distinguido como o melhor que se fazia em Portugal, numa lista que acabou por marcar uma geração e ajudar a consolidar o prestígio da gastronomia nacional.
Em 2003, o jornal Expresso lançou a primeira edição do “Livro da Boa Cama e da Boa Mesa”, onde destacou 25 restaurantes com o selo “Garfo de Ouro”, uma distinção reservada a espaços considerados referências de excelência em todo o país.
Entre esses 25 nomes, três localizavam-se no Algarve, numa altura em que a região começava a afirmar-se também pela sua oferta gastronómica, para além do turismo tradicional.
Uma distinção que marcou uma época
A lista de 2003 surgiu num momento em que a gastronomia portuguesa começava a ganhar maior visibilidade, tanto a nível interno como internacional, e funcionou como um retrato do que melhor se fazia à mesa nesse período.
O critério passava por destacar restaurantes que combinassem qualidade, consistência e identidade, valorizando tanto a tradição como a capacidade de inovação.
Nesse contexto, a presença de três restaurantes algarvios na lista refletia já a importância crescente da região no panorama gastronómico nacional.
Os nomes do Algarve que entraram na lista
Entre os distinguidos no Algarve encontrava-se a Adega Vila Lisa, na Mexilhoeira Grande, no concelho de Portimão, um espaço ligado à cozinha tradicional e que ganhou notoriedade ao longo dos anos.
Outro dos nomes presentes era a Casa Velha, situada na Quinta do Lago, em Loulé, um restaurante com forte ligação à história da própria zona onde se insere e que se afirmou como um dos pontos de referência da restauração algarvia.
Já o terceiro restaurante algarvio distinguido foi o Ermitage, localizado na zona de Almancil, que à data era liderado por Vincent Nas e integrava o grupo de espaços reconhecidos pelo Expresso.
Uma lista que atravessou o país
Para além dos nomes algarvios, a lista dos 25 “Garfo de Ouro” de 2003 incluía restaurantes de várias regiões, refletindo a diversidade gastronómica portuguesa.
Entre eles estavam A Bolota (Elvas), A Maria (Alandroal), Bull & Bear (Porto), Camelo (Seia), Chico Elias (Tomar), Cimas English Bar (Cascais), Clube de Golfe da Belavista (Lisboa), Condestável de Luís Suspiro (Cartaxo), Conventual (Lisboa), Estoril Mandarim (Cascais), Fialho (Évora), O Galito (Lisboa), O Nobre – Ajuda (Lisboa), Pap’Açorda (Lisboa), Passos Perdidos (Vila Real), Portucale (Porto), São Gião (Guimarães), São Rosas (Estremoz), Tasquinha do Oliveira (Évora), Tia Alice (Ourém), Tromba Rija (Leiria) e Valle-Flôr (Lisboa).
Um retrato de uma geração gastronómica
Mais do que uma simples lista, esta seleção acabou por funcionar como um retrato de uma geração de restaurantes que marcou o início dos anos 2000 em Portugal, num período de transição e afirmação da cozinha nacional.
Ao longo dos anos, o setor evoluiu, surgiram novos conceitos e novas referências, mas esta distinção continua a ser lembrada como um marco importante na valorização da restauração portuguesa.
Duas décadas depois, os nomes que integraram os “Garfo de Ouro” de 2003 continuam a despertar curiosidade, não só pelo reconhecimento que tiveram na altura, mas também pelo papel que desempenharam na construção da identidade gastronómica do país.
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