A entrega do IRS está prestes a começar e há uma pergunta que se repete todos os anos: afinal, vai receber dinheiro ou terá de pagar ao Estado? A resposta pode ser antecipada antes mesmo de submeter a declaração, desde que compreenda os principais elementos que entram no cálculo.
Com o início da campanha marcado para abril, milhões de contribuintes voltam a olhar para os rendimentos de 2025 e a tentar perceber qual será o desfecho do acerto de contas com o Fisco. Antecipar este resultado pode evitar surpresas e ajudar a gerir melhor o orçamento familiar.
De acordo com o Ekonomista, existem três fatores essenciais que determinam o valor final do IRS: o rendimento anual, as retenções na fonte e as deduções à coleta.
Os três pilares que definem o resultado
O primeiro elemento é o rendimento bruto anual, que inclui salários, subsídios e outros rendimentos obtidos ao longo do ano. Este valor representa o ponto de partida para o cálculo do imposto.
Segue-se o montante das retenções na fonte, ou seja, o imposto que foi sendo descontado mensalmente. Trata-se de um pagamento antecipado ao Estado, que será ajustado no momento da entrega da declaração.
Por fim, entram as deduções à coleta, associadas a despesas como saúde, educação, habitação ou encargos familiares. Segundo a mesma fonte, estas deduções reduzem diretamente o imposto a pagar e podem fazer uma diferença significativa no resultado final.
Como se chega ao rendimento coletável
Antes de aplicar as taxas de IRS, é necessário apurar o chamado rendimento coletável. Este valor resulta da subtração de deduções específicas ao rendimento bruto.
No caso dos trabalhadores por conta de outrem, existe uma dedução automática que, em 2026, se fixa nos 4.587,09 euros, podendo ser superior se os descontos para a Segurança Social ultrapassarem esse montante. Segundo a publicação, este passo é fundamental para perceber em que escalão de IRS o contribuinte se enquadra.
Escalões e cálculo do imposto
O sistema de IRS em Portugal é progressivo, o que significa que diferentes fatias do rendimento são tributadas a taxas distintas.
De acordo com a mesma fonte, existem duas formas de calcular a coleta. Uma delas divide o rendimento por escalões e aplica taxas diferentes a cada parcela. A outra utiliza uma fórmula simplificada, aplicando a taxa correspondente ao escalão e subtraindo uma parcela fixa. Este mecanismo pode parecer complexo, mas é essencial para chegar ao valor base do imposto devido.
O impacto das deduções
Depois de calculada a coleta, entram em cena as deduções à coleta. Estas funcionam como um desconto direto no imposto e podem reduzir significativamente o valor final.
Segundo o Ekonomista, despesas devidamente registadas no e-Fatura podem traduzir-se em poupanças relevantes, sobretudo em agregados com encargos elevados em áreas como saúde ou educação. O resultado desta fase é a chamada coleta líquida, que representa o montante efetivo que o Estado espera receber.
A diferença entre pagar ou receber
É apenas no último passo que se percebe o resultado final. A coleta líquida é comparada com o total das retenções na fonte realizadas ao longo do ano. Se o contribuinte tiver pago mais imposto do que o devido, através das retenções, terá direito a reembolso. Caso contrário, terá de pagar a diferença ao Estado. Segundo a mesma fonte, este é o momento que determina se o saldo é favorável ou desfavorável.
Outros fatores que podem pesar na conta
Para além dos cálculos base, há outros elementos que influenciam o resultado final. O estado civil, por exemplo, pode alterar significativamente o imposto a pagar, especialmente se houver opção entre tributação conjunta ou separada.
O número de dependentes também tem impacto, através de deduções específicas por cada elemento do agregado familiar. Já os contribuintes com múltiplas fontes de rendimento, como rendas ou mais-valias, podem enfrentar situações em que as retenções não são suficientes, resultando em valores adicionais a pagar.
Antecipar o resultado pode fazer a diferença
Perceber com antecedência se vai receber ou pagar IRS permite preparar melhor o impacto financeiro. Segundo o Ekonomista, quem antecipa um pagamento pode organizar-se ao longo dos meses, evitando encargos inesperados. Por outro lado, quem espera reembolso consegue ajustar expectativas e evitar decisões precipitadas.
Num contexto em que cada euro conta, fazer estas contas antes do prazo oficial pode ser uma vantagem importante para muitos contribuintes.
Leia também: Portugueses que ganhem salários ou pensões até este valor estão isentos de IRS se cumprirem estes requisitos
















