Um militar da GNR que ficou com uma incapacidade total de 100% depois de ser baleado durante uma ocorrência, em 2019, vai receber uma compensação de 116.880 euros. Hugo Pires, que estava ao serviço quando foi atingido por um disparo, acabou por deixar a atividade profissional devido às sequelas provocadas pelo ferimento.
O caso remonta a 15 de junho de 2019 e aconteceu em Cernache, no concelho de Coimbra. O valor da compensação foi publicado na última quarta-feira, 26 de agosto, em Diário da República, na sequência das consequências sofridas pelo militar, que acabou por ser reformado em dezembro de 2023.
Ordem de paragem terminou em disparos
De acordo com o Correio da Manhã, Hugo Pires encontrava-se então ao serviço do Posto de Trânsito da Figueira da Foz e fazia uma patrulha quando os militares deram ordem de paragem a um automóvel. O veículo transportava, além do condutor, outras duas pessoas.
O homem que conduzia não cumpriu a ordem dos militares e iniciou a fuga. Durante a perseguição, acabou por inverter o sentido da marcha e regressar na direção dos elementos da GNR. Foi nesse momento que ocorreu o disparo que atingiu Hugo Pires.
O militar foi atingido quando o automóvel passou junto ao carro da GNR. O projétil ficou alojado no maxilar direito, provocando lesões que viriam a ter consequências na sua vida profissional.
As sequelas levaram à reforma
Na sequência do incidente, Hugo Pires foi transportado para o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, onde recebeu assistência médica. A gravidade das consequências acabou por determinar o afastamento do militar do serviço ativo.
Segundo a mesma fonte, a reforma aconteceu em dezembro de 2023, cerca de quatro anos depois do episódio ocorrido durante a patrulha. A incapacidade atribuída ao militar foi fixada em 100%, condição que está na origem da compensação agora determinada.
O caso teve também acompanhamento político na altura. Durante o período em que Hugo Pires esteve internado no hospital, recebeu a visita do então ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.
O que aconteceu depois dos disparos
Sabe-se ainda que o proprietário do automóvel envolvido na ocorrência apresentou-se horas depois numa esquadra da PSP em Peniche. O episódio ficou assim ligado a uma fuga que começou depois de uma ordem de paragem e terminou com o disparo contra o militar da GNR.
Agora, a compensação fixada para Hugo Pires ascende a 116.880 euros. O montante foi publicado na última quarta-feira em Diário da República e está relacionado com a incapacidade total de 100% resultante dos disparos sofridos durante o exercício das funções.
A decisão surge seis anos depois da ocorrência de Cernache. Nesse período, o militar passou da situação de patrulheiro ao afastamento definitivo do serviço, na sequência das sequelas provocadas pelo ferimento.
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