As tempestades que atingiram Portugal no início do ano continuam a ter impacto na circulação rodoviária. Seis meses depois dos primeiros temporais, ainda existem 21 estradas nacionais encerradas ao trânsito devido aos danos provocados pelas depressões que afetaram o país, confirmou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz.
De acordo com a agência de notícias Lusa, o governante revelou, durante uma audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, que várias vias foram entretanto reabertas nas últimas semanas. Entre elas estão a EN9-2, em Mafra, e a EN248-2, no Sobral de Monte Agraço, reabertas durante o mês de junho. Já em julho, voltaram também a estar transitáveis a EN342, entre Arganil e Góis, e a EN347, em Penela, embora nesta última a circulação permaneça condicionada a veículos ligeiros e de emergência.
Obras exigem soluções mais complexas
Apesar destas reaberturas, continuam 21 estradas encerradas. Miguel Pinto Luz explicou que estes casos apresentam dificuldades técnicas que impedem uma intervenção rápida. Segundo o ministro, são necessárias “soluções mais robustas”, bem como estudos geológicos e geotécnicos e a elaboração de projetos de execução antes de ser possível avançar com as obras de recuperação.
Durante a audição parlamentar, Miguel Pinto Luz defendeu que a recuperação das infraestruturas rodoviárias é uma prioridade, sobretudo nas regiões mais afetadas. O governante afirmou que o executivo está “profundamente preocupado com a justiça territorial, com o desenvolvimento do interior e das oportunidades das suas populações”. Acrescentou ainda que o investimento em estradas e ferrovia pretende garantir melhores condições de mobilidade e contribuir para fixar população em diferentes regiões do país.
Tempestades deixaram um rasto de destruição
As vias encerradas são uma das consequências do conjunto de tempestades que atravessou Portugal entre o final de janeiro e o início de março. Segundo a Lusa, as depressões Kristin, Leonardo e Marta provocaram pelo menos 19 mortos, várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das vítimas mortais perdeu a vida durante operações de recuperação após os temporais.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo estiveram entre as mais afetadas pelos fenómenos meteorológicos extremos, que se prolongaram durante cerca de três semanas. Além dos cortes em estradas, registaram-se inundações, cheias, falhas no abastecimento de energia, água e comunicações, queda de árvores e estruturas, bem como danos em milhares de habitações, empresas e equipamentos públicos.
Recuperação continua em curso
A manutenção do encerramento de 21 estradas demonstra que parte da recuperação das infraestruturas ainda está longe de estar concluída. Nos casos mais complexos, as intervenções dependem de estudos técnicos prévios e de soluções de engenharia específicas, o que prolonga os prazos de execução.
Entretanto, o Governo continua a avançar com reaberturas faseadas sempre que as condições de segurança o permitem, procurando restabelecer a circulação nas zonas afetadas e reduzir o impacto das tempestades na mobilidade das populações.
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