O Governo anunciou que pretende instalar mais 12 radares de velocidade média em Portugal e deixou claro que a localização destes equipamentos terá um papel decisivo na eficácia da medida. O objetivo, segundo o executivo, é reduzir a sinistralidade rodoviária e reforçar a prevenção nas estradas.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, que explicou que “o que nós pretendemos é uma diminuição da sinistralidade”, enquadrando a medida num plano mais amplo de segurança rodoviária.
Um tipo de radar que não dá margem
Os radares de velocidade média funcionam de forma diferente dos tradicionais. Em vez de medir a velocidade num ponto específico, calculam a média ao longo de um percurso. Na prática, isto obriga os condutores a manter uma velocidade constante, reduzindo a possibilidade de travagens momentâneas para evitar multas.
Segundo o secretário de Estado, estes dispositivos devem ser “entendidos como elementos de prevenção e que possam garantir que as pessoas cumprem com as regras que estão estabelecidas”.
Uma estratégia com metas ambiciosas
A instalação dos novos radares insere-se no protocolo “Visão Zero – Mais Cidadania para as Estradas de Portugal”, que estabelece objetivos claros para os próximos anos. Entre as metas definidas está a redução em pelo menos 50% do número de mortos e feridos graves até 2030, tendo como referência os dados de 2019. Isso implicaria baixar o número de vítimas mortais para um máximo de 313 por ano.
A longo prazo, o objetivo é ainda mais ambicioso: atingir zero vítimas mortais e zero feridos graves até 2050.
Tecnologia também entra no plano
Além dos radares, o Governo pretende reforçar o uso de inteligência artificial na gestão do tráfego e na prevenção de acidentes.
Segundo foi indicado, estão em curso contactos com a área da digitalização para integrar soluções tecnológicas que permitam melhorar o controlo rodoviário. A ideia passa por utilizar dados em tempo real para antecipar riscos e tornar a circulação mais segura.
A localização não será ao acaso
Apesar de já estar definido o número de novos radares, a localização concreta ainda não foi divulgada. Segundo o governante, essa decisão está a ser estudada pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.
De acordo com a informação avançada, a escolha terá por base um estudo do Observatório da ANSR que identificou “pontos críticos nas estradas portuguesas”. Ou seja, os novos radares deverão surgir em zonas onde o risco de acidente é maior. Esta abordagem pretende garantir que os equipamentos não são apenas mais um instrumento de fiscalização, mas sim uma ferramenta com impacto direto na prevenção.
O fator humano continua no centro
Apesar do reforço tecnológico, o secretário de Estado sublinhou que o comportamento dos condutores continua a ser o principal fator de risco. Cerca de um terço das mortes nas estradas está associado ao excesso de velocidade. Já uma em cada quatro vítimas mortais conduzia com álcool no sangue.
O uso do telemóvel durante a condução foi também destacado como um dos comportamentos mais perigosos, aumentando significativamente a probabilidade de acidente.
O que muda para quem conduz
Com mais radares de velocidade média, a fiscalização torna-se mais exigente e contínua. Ao contrário dos sistemas tradicionais, estes equipamentos não permitem “escapar” com travagens pontuais, já que analisam toda a extensão do percurso. Na prática, isso traduz-se numa maior necessidade de manter uma condução estável e dentro dos limites.
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