Durante uma intervenção de escavação na Praia da Galé, no concelho de Grândola, foram descobertos fósseis de baleias com cerca de 10 milhões de anos, após as tempestades de fevereiro terem exposto os vestígios no litoral alentejano. De acordo com a agência de notícias Lusa, trata-se de dois esqueletos parciais que estão entre os fósseis mais completos do Miocénico encontrados em Portugal e na Europa.
A Câmara Municipal de Grândola explicou que a descoberta, a norte da praia, exigiu “uma complexa operação” de remoção e conservação, conduzida por paleontólogos portugueses e internacionais. Conforme a mesma fonte, as equipas envolvidas integraram o Museu da Lourinhã, o Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Museu Nacional de História Natural e da Ciência.
Operação científica coordenada
Os trabalhos de escavação foram intensivos devido à fragilidade dos restos fósseis. Segundo a mesma fonte, a equipa teve de avaliar cuidadosamente cada elemento para garantir a preservação de ossos como vértebras, costelas e partes do crânio.
Acrescenta a publicação que a intervenção envolveu também técnicos do município e um arqueólogo, garantindo apoio logístico e científico no local. Esta colaboração foi determinante para o sucesso da operação e para a retirada segura dos fósseis da praia.
Detalhes dos esqueletos encontrados
Os investigadores detalharam os elementos preservados em cada esqueleto. Escreve a agência noticiosa que um dos fósseis inclui um crânio, duas mandíbulas quase completas, várias vértebras e costelas.
O segundo exemplar preserva “um crânio quase completo, parte das mandíbulas, várias vértebras e costelas e possíveis ossos dos membros anteriores e da cintura escapular”, refere a mesma fonte. Estes elementos permitem compreender melhor a anatomia e o tamanho destes cetáceos antigos.
Contexto evolutivo e grupo das baleias
Importa destacar que os fósseis pertencem ao grupo Mysticeti, que inclui as atuais baleias de barbas. Os paleontólogos explicam que este grupo de baleias de pequeno a médio porte era relativamente abundante na costa portuguesa há cerca de 10 milhões de anos.
Conforme a mesma fonte, atualmente este grupo inclui espécies como a baleia-cinzenta e a baleia-azul, o maior animal do planeta. O estudo destes fósseis poderá fornecer dados relevantes sobre a evolução, ecologia e modo de vida destes animais antigos.
Riqueza paleontológica da região
O litoral de Grândola insere-se numa área conhecida por fósseis marinhos do Miocénico. Escreve a agência que a Bacia de Alvalade apresenta uma grande diversidade de restos de baleias, golfinhos, tartarugas, tubarões, peixes ósseos e possíveis aves.
Também foram identificados fósseis de invertebrados, como bivalves, numa jazida com extensão superior a 100 metros. Trata-se de uma das associações fossilíferas mais relevantes da região, contribuindo para a compreensão do ecossistema marinho da época.
Preparação e estudo dos fósseis
Os esqueletos encontram-se atualmente à guarda do Município de Grândola e serão transportados nas próximas semanas para o laboratório do Museu da Lourinhã. Segundo a Lusa, ali serão realizados trabalhos de preparação, conservação e estudo detalhado.
O município, o Museu da Lourinhã e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, através do Instituto Dom Luiz, preparam agora um protocolo de cooperação para investigação, divulgação e futura partilha deste achado com a comunidade e sociedade em geral.
















