O comportamento repete-se todos os dias nas estradas portuguesas e, apesar de ser amplamente conhecido e penalizado, continua longe de desaparecer, o que mantém as preocupações em matéria de segurança rodoviária e também no bolso dos condutores.
Segundo dados divulgados pela GNR e depois reproduzidos pelo Pplware, o uso indevido do telemóvel durante a condução continua a revelar uma realidade persistente. Embora haja oscilações e a evolução não seja linear, os números mais recentes mostram que o problema está longe de desaparecer.
A própria GNR sublinha que, em alguns períodos, há sinais de agravamento, o que reforça os alertas das autoridades.
Um hábito que continua a custar caro
O uso indevido do telemóvel durante a condução é considerado uma contraordenação grave, nos termos dos artigos 84.º e 145.º do Código da Estrada, o que significa que não se trata apenas de uma infração menor, mas sim de um comportamento com impacto direto na segurança rodoviária.
Na prática, esta infração pode resultar numa coima entre 250 e 1.250 euros e implica ainda a perda de três pontos na carta de condução, como prevê o artigo 148.º do Código da Estrada.
Além disso, por se tratar de uma contraordenação grave, a lei prevê a aplicação de sanção acessória de inibição de conduzir. Nos termos do artigo 147.º, essa inibição pode ir de um mês a um ano, embora a sua execução possa ser suspensa em certos casos previstos na lei.
Números mostram tendência irregular, mas março agravou o quadro
Nos primeiros três meses de 2026, foram registadas 4.179 infrações relacionadas com o uso indevido do telemóvel ao volante, de acordo com dados da GNR.
Este valor representa uma descida de 25,5% face ao mesmo período de 2025, mas a análise mais detalhada mostra que a tendência recente não foi de alívio constante.
Só no mês de março foram detetadas 1.688 infrações, um número significativamente superior ao dos meses anteriores. Segundo a GNR, isso corresponde a uma subida de 16,5% face a fevereiro e de 61,8% em relação a janeiro.
Lisboa e Porto concentram mais casos
As infrações relacionadas com o uso do telemóvel tendem a concentrar-se nos distritos de Porto e Lisboa. Segundo a GNR, o Porto apresentou o maior volume acumulado de infrações em 2024 e 2025, com Lisboa logo a seguir, destacando-se ainda Aveiro no último ano.
As autoridades sublinham, no entanto, que qualquer distração ao volante pode ser suficiente para provocar um acidente, mesmo em trajetos curtos ou aparentemente simples.
Um problema que continua a preocupar
Em 2025, foram registadas 18.631 infrações deste tipo, o valor mais elevado do período analisado pela GNR, o que confirma que o uso do telemóvel ao volante continua a ser um problema relevante nas estradas portuguesas.
Este número reforça a necessidade de medidas de sensibilização mais eficazes, mas também de fiscalização contínua, já que o comportamento continua enraizado entre muitos condutores.
Segundo os dados divulgados pela GNR, a perceção de risco continua a não ser suficiente para travar esta prática.
O que diz a lei e como evitar problemas
O Código da Estrada proíbe, durante a marcha do veículo, a utilização ou o manuseamento continuado de qualquer equipamento suscetível de prejudicar a condução, designadamente aparelhos radiotelefónicos. A exceção vale para sistemas mãos-livres ou de alta voz que não impliquem manuseamento continuado, nos termos do artigo 84.º.
Na prática, isto significa que segurar no telemóvel, escrever mensagens ou fazer chamadas sem recurso a sistemas adequados constitui infração.
As autoridades recomendam, por isso, que qualquer utilização do telemóvel seja feita apenas com o veículo parado em segurança, ou através de sistemas que não impliquem desviar as mãos do volante nem a atenção da condução.
Num contexto em que a tecnologia está cada vez mais presente no quotidiano, o desafio passa por garantir que essa presença não compromete a segurança, evitando que um gesto aparentemente simples resulte em consequências legais e financeiras significativas.
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