Um avião da TAP protagonizou um incidente considerado pelas autoridades checas como “um dos mais graves registados nas últimas décadas no aeroporto de Praga”, depois de ter descido abaixo da altitude mínima de segurança durante a aproximação. O caso está a ser investigado e envolveu o voo TP1240, proveniente de Lisboa.
A companhia aérea portuguesa confirmou que está a acompanhar o processo. De acordo com a agência de notícias Lusa, fonte oficial da companhia aérea portuguesa afirmou que “a TAP está a investigar internamente a situação e a colaborar inteiramente com a investigação das autoridades competentes da República Checa”.
Descida abaixo do mínimo de segurança
O episódio ocorreu na manhã de 17 de janeiro, quando o Airbus A320neo se encontrava em aproximação à pista 06 do Aeroporto Václav Havel, em Praga. Segundo a mesma fonte, os sistemas de radar detetaram que a aeronave tinha descido abaixo da altitude mínima de segurança, situada em cerca de 1.300 metros.
Escreve a agência noticiosa que o avião terá ficado a menos de 300 metros do solo durante uma descida a alta velocidade nas imediações de Krivoklát, a cerca de 60 quilómetros da capital checa.
Alertas no cockpit
O site Kiosque da Aviação indica que a aeronave estava autorizada a manter 4.000 pés, mas terá atingido aproximadamente 2.600 pés acima do nível médio do mar, valor inferior ao mínimo previsto para aquela fase da operação.
Acrescenta a publicação que os controladores de tráfego aéreo emitiram dois alertas à tripulação ao detetarem a descida indevida, tendo sido ativado no cockpit o sistema de aviso de proximidade ao solo, o TAWS, “levando os pilotos a iniciar uma subida imediata para recuperar a altitude segura”.
Manobra de última hora
Segundo a Radio Prague International, o Airbus A320neo “esteve a segundos de se despenhar a 60 quilómetros de Praga”, conseguindo evitar o acidente graças a “uma manobra de subida de última hora executada pela tripulação”.
Refere a mesma fonte que, após estabilizar a aeronave, a tripulação efetuou nova aproximação dentro dos parâmetros estabelecidos, culminando numa aterragem sem incidentes cerca de 11 minutos depois. Não houve feridos nem danos no avião.
Condições adversas e hipótese técnica
O incidente ocorreu em condições meteorológicas descritas como muito adversas, com nevoeiro denso e baixa visibilidade. Conforme a mesma fonte, especialistas citados pelos meios locais admitem como possível causa o uso incorreto do piloto automático.
A Radio Prague International acrescenta que o caso foi registado como um episódio de CFIT, sigla para Controlled Flight Into Terrain, situação em que a aeronave se aproxima perigosamente do solo sem que a tripulação tenha plena consciência do risco, normalmente devido a erros na configuração dos sistemas de voo.
Investigação em curso
Entretanto, está a decorrer uma investigação oficial conduzida pelo Instituto de Investigação de Acidentes Aéreos da República Checa, que constituiu uma comissão para apurar se o desvio resultou de fatores operacionais, humanos ou técnicos.
Segundo a Lusa, as autoridades consideram o incidente “um dos mais graves registados no aeroporto de Praga nas últimas décadas”, sublinhando a necessidade de apurar as circunstâncias exatas que levaram à descida abaixo da altitude mínima de segurança.
















