O bom tempo vai começando a fazer-se sentir um pouco por todo o país e, enquanto não chega o calor do verão, pode sempre aproveitar para percorrer alguns dos passadiços que se encontram espalhados por Portugal. No sul do país existem uns passadiços que se erguem numa aldeia que existe há pouco mais de 20 anos e que passam por cima de um lago.
A aldeia da Luz, no concelho de Mourão, viu a sua história mudar para sempre com a construção da barragem do Alqueva. Este projeto hidráulico, considerado o maior reservatório artificial da Europa, trouxe desenvolvimento ao Alentejo, mas teve um custo elevado para cerca de 400 residentes que foram obrigados a deixar as suas casas e a abandonar as memórias do local onde cresceram.
Uma povoação submersa pelas águas do Guadiana
A antiga povoação acabou por ficar submersa pelas águas do rio Guadiana, num processo que marcou profundamente a comunidade. Nos períodos em que o caudal desce, ainda é possível avistar vestígios do que ali existiu, mas, para quem foi realojado, a visão não apaga a dor da perda.
A 16 de novembro de 2002, a nova Aldeia da Luz foi oficialmente inaugurada, a três quilómetros da localização original. Construída de raiz, esta nova povoação manteve o nome e procurou preservar a identidade da comunidade deslocada, oferecendo novas casas, escola, centro de saúde, comércio e espaços públicos.
O santuário e o cemitério recriados
Entre as construções transferidas e recriadas está o santuário de Nossa Senhora da Luz, reconstruído com base no templo original. O cemitério também foi trasladado, num esforço para manter os laços afetivos e espirituais com o passado.
Em 2023, foi dado um novo passo na valorização do património com a abertura do Museu da Luz. Segundo o site oficial, este espaço interpretativo “narra as profundas alterações ocorridas neste território” através de fotografias, vídeos e peças etnográficas e arqueológicas.
Arquitetura premiada integrada na paisagem
O edifício do museu, construído em xisto, destaca-se pela sua arquitetura, já premiada, que se integra de forma harmoniosa na paisagem da margem do lago de Alqueva. Tornou-se um dos principais pontos de interesse para quem visita a nova aldeia.
Recomendamos: Nem França, nem Itália: britânicos elegem este país como o mais romântico da Europa
Passadiços junto à albufeira do Alqueva
Para os amantes da natureza, os Passadiços da Aldeia da Luz são o ex-líbris desta pequena localidade. Com 700 metros de extensão, esta estrutura em madeira percorre a paisagem junto à albufeira, ligando a aldeia ao ancoradouro e adaptando-se ao terreno.
Segundo o município de Mourão, os passadiços revelam-se particularmente “encantadores” durante a primavera, quando a vegetação floresce e o nível da água está mais elevado. Nesses dias, caminhar por ali parece quase flutuar sobre o lago.
Baloiço panorâmico com vista sobre o lago
Em 2024, foi inaugurado o Baloiço da Luz, o primeiro baloiço panorâmico do concelho de Mourão. Instalado junto aos passadiços, proporciona vistas amplas sobre a albufeira do Alqueva e tornou-se rapidamente num dos locais mais procurados pelos visitantes.
João Fortes, presidente da Câmara Municipal de Mourão, destacou na inauguração que este equipamento “visa não só a promoção e afirmação das potencialidades turísticas deste local, mas também de todo o concelho”.
Monte dos Pássaros resiste ao tempo
Outro ponto de interesse na visita à Aldeia da Luz é o Monte dos Pássaros, a única construção da antiga povoação que resistiu à subida das águas. Este espaço foi recuperado e é hoje palco de workshops e atividades culturais promovidas pelo museu.
Os Passadiços da Aldeia da Luz prolongam-se por um percurso de cerca de 1,6 quilómetros (ida e volta), serpenteando pelas margens do lago e atravessando pequenos braços de água e um ilhéu. Ao longo do caminho, os visitantes podem desfrutar de paisagens panorâmicas sobre os montados e sobre a aldeia reconstruída.
Melhor altura para visitar
A estrutura parte de uma zona de merendas próxima do Monte dos Pássaros, a apenas 500 metros do Museu da Luz. Estão acessíveis todo o ano e, segundo recomendações locais, a melhor altura para a visita é na primavera, quando a paisagem alentejana ganha vida e o caudal do lago atinge o seu auge. Escreve o blog Vaga Mundos que existem lugares de estacionamento gratuitos junto aos passadiços.
Leia também: Apagão em casa? Saiba como carregar o telemóvel em casa mesmo sem eletricidade
















