Portugal está repleto de locais menos conhecidos que merecem um olhar mais atento. Muitas vezes, tratam-se de sítios afastados das grandes cidades, onde a natureza e a engenharia se cruzam de forma surpreendente. No norte do país, há uma ponte que é exemplo claro disso. Imponente, bem enquadrada e com uma envolvente de grande beleza, tem vindo a chamar a atenção de quem a visita.
Uma ponte em pleno território transmontano
A pouco mais de duas horas do Porto, entre os concelhos de Mogadouro e Alfândega da Fé, encontra-se a Ponte Sardão-Meirinhos. Embora não muito divulgada fora da região, é considerada por muitos como uma das mais impressionantes do país, segundo o NCultura.
Situada numa das zonas mais recortadas do rio Sabor, integra o percurso do Itinerário Complementar 5 (IC5), uma via fundamental para as ligações locais. A sua construção permitiu reduzir tempos de viagem e melhorar acessos numa área onde a mobilidade sempre foi condicionada.
Um projeto adiado durante décadas
Embora estivesse prevista nos planos rodoviários há mais de meio século, a ponte só viria a ser concluída em 2003. A sua concretização representou um avanço decisivo para o desenvolvimento local e melhorou significativamente a rede viária da região.
Com uma extensão de 560 metros e largura de 13 metros, apresenta um vão principal com 160 metros. Os pilares atingem os 75 metros de altura, e o tabuleiro foi feito em betão armado, pré-esforçado, resistente às exigências do terreno.
Adaptação a condições exigentes
Com a construção da Barragem do Baixo Sabor, parte dos pilares da ponte ficou submersa. Esta realidade levou à adoção de soluções técnicas específicas, como a aplicação do MasterSeal M 689, uma membrana de poliureia usada para impermeabilização.
A obra exigiu planeamento rigoroso e recurso a materiais inovadores, sendo atualmente apontada como exemplo de engenharia eficaz em meio natural desafiante, de acordo com a mesma fonte.
Uma paisagem que surpreende
O que torna esta ponte ainda mais marcante é a forma como se integra na paisagem envolvente. Cercada por colinas, vegetação serrana e pelo leito do rio, proporciona uma vista de grande impacto, especialmente em dias limpos.
Ao atravessá-la, o cenário é envolvente. A luz do sol espelha-se no rio e nas encostas, criando efeitos visuais considerados por muitos como únicos. Muitos classificam-na como a ponte mais encantadora do norte do país.
Recomendamos: Mercadona diz ‘adeus’ a produto muito popular e deixa clientes ‘sem palavras’
Acidentes que não foram esquecidos
Apesar da sua relevância, a construção da Ponte Sardão-Meirinhos ficou marcada por dois acidentes fatais. Um deles envolveu um jovem de 20 anos, natural de Cinfães, que caiu de uma altura superior a 30 metros.
O episódio levou à suspensão temporária dos trabalhos e à revisão das condições de segurança no estaleiro. A tragédia gerou forte impacto na comunidade envolvida na obra.
Uma infraestrutura que cumpre função essencial
Nos dias de hoje, a ponte cumpre um papel essencial. Liga duas zonas do distrito de Bragança e serve diariamente os habitantes que dela dependem para circular. Ainda assim, é pouco referida a nível nacional.
A Ponte Sardão-Meirinhos é um exemplo de estrutura funcional que alia eficácia à integração na paisagem. Com características técnicas notáveis, continua a passar despercebida a muitos, refere a fonte acima citada.
A sua presença é relevante para a coesão territorial da região de Trás-os-Montes, reforçando a ligação entre localidades que outrora estavam isoladas. É uma obra pensada para durar num contexto de relevo e clima exigentes.
Um local que merece ser visto de perto
Nas redondezas da ponte, é possível apreciar o percurso do rio Sabor e o enquadramento montanhoso da região. O silêncio, o ar puro e a vastidão do horizonte convidam a parar e contemplar, refere o NCultura.
A título de curiosidade, fique a saber que parte da zona onde a ponte se encontra já foi considerada prioritária para observação de aves migratórias, devido à proximidade com habitats protegidos da albufeira do Sabor.
Leia também: Nem na mão, nem no porão: União Europeia proíbe objeto usado por ‘todos’ de viajar nesta bagagem do avião
















