O preço da água em Portugal pode aumentar, em média, 50% nos próximos anos. A previsão é avançada por especialistas do setor, que consideram a medida inevitável para garantir a sustentabilidade do abastecimento e do saneamento, segundo o portal de notícias Zap.aeiou.
A necessidade de rever preços
O alerta foi deixado por Eduardo Marques, presidente da Associação das Empresas Portuguesas para o Setor do Ambiente que defende que as atuais tarifas não chegam para cobrir os custos de operação e de investimento e que é inevitável um aumento médio de 50% nas tarifas a nível nacional nos próximos anos.
Segundo Marques, cerca de 65% das entidades gestoras não conseguem financiar o serviço apenas com as receitas das faturas, dependendo de subsídios municipais. Esta prática cria a ilusão de preços baixos, mas transfere os encargos para os contribuintes.
A solução, afirma o especialista, passa por rever as tarifas em alta, acompanhando o aumento com a criação de tarifas sociais que protejam as famílias com maiores dificuldades económicas.
Diferenças marcantes entre concelhos
As disparidades no preço da água em Portugal são um dos pontos mais debatidos. Em Santa Maria da Feira, a tarifa do metro cúbico atinge 2,77 euros, uma das mais elevadas do país. Já em concelhos como Oleiros, o mesmo consumo custa menos de metade, de acordo com a mesma fonte.
De acordo com a DECO PROteste, em 2024 Santa Maria da Feira ocupava o 12.º lugar entre as tarifas mais altas no consumo de 120 metros cúbicos anuais e o 3.º lugar no escalão de 180 metros cúbicos.
Fundão e Oleiros ilustram bem o contraste: para 180 metros cúbicos anuais, o primeiro concelho cobra 776,74 euros, enquanto o segundo apenas 316,26 euros, segundo dados divulgados pelo Público.
Porque a água não é assim tão cara
Apesar destas diferenças, Eduardo Marques lembra que, em média, a água em Portugal custa cerca de 30 cêntimos por dia, o equivalente a um terço de um café. “A perceção de que a água é cara resulta de uma total iliteracia sobre o serviço”, acrescenta Alfeu Sá Marques, presidente da Águas de Coimbra, citado pelo Zap.aeiou, recordando que a água é vista como um recurso natural gratuito, quando na prática implica custos elevados de captação, tratamento e distribuição.
Grande parte das discrepâncias pode dever-se à multiplicidade de entidades gestoras: segundo a ERSAR, existem 351 operadores em Portugal, desde câmaras municipais a concessionárias privadas, cada uma com modelos tarifários distintos.
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