Nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada, foi identificada uma nova espécie de planta que passou despercebida à ciência durante quase dois séculos. Chama-se Linaria almadensis e cresce numa zona muito restrita, voltada para o estuário do Tejo, mesmo em frente a Lisboa.
A descoberta foi divulgada este ano e é considerada singular para a botânica portuguesa, uma vez que esta planta, até ao momento, só é conhecida neste local do mundo. Segundo a Universidade de Coimbra, embora tenha sido colhida pela primeira vez em 1843, apenas agora foi reconhecida e descrita como nova espécie no âmbito de uma revisão taxonómica.
De acordo com a mesma fonte, esta é a única espécie conhecida que, em todo o mundo, ocorre apenas nestas arribas. Apesar de existirem registos antigos da planta, a sua identidade só foi agora reconhecida formalmente no âmbito de uma revisão taxonómica publicada na revista científica Botany Letters.
Já tinha sido colhida no século XIX
A história desta planta não começou agora. A Universidade de Coimbra explica que a Linaria almadensis foi colhida pela primeira vez em 1843, mas acabou por permanecer confundida com outras espécies durante quase dois séculos. Só este ano foi descrita como uma nova espécie para a ciência.
O artigo científico publicado na Botany Letters descreve a nova espécie como uma planta endémica das arribas da foz do Tejo, no município de Almada, localizada a cerca de dois quilómetros a sul de Lisboa. A publicação identifica-a como uma espécie altamente ameaçada, devido à sua distribuição muito limitada.
Exemplar da nova espécie está guardado em Coimbra
O holótipo, ou seja, o exemplar que serviu de referência para a descrição da nova espécie, encontra-se guardado no Herbário da Universidade de Coimbra. Esta coleção é apresentada pela instituição como a maior coleção botânica do país.
Esta planta foi descrita pelo botânico João Farminhão e recebeu o nome almadensis em referência ao concelho de Almada, onde ocorre. A base de dados Flora-On, plataforma digital dedicada à flora de Portugal, também identifica a nova espécie como endémica de Portugal continental e associada às arribas do Gargalo do Tejo.
Onde cresce esta nova espécie rara?
Segundo o Flora-On, a Linaria almadensis ocorre em paredões e terraços de arribas costeiras, sobre areias e calcarenitos. A mesma fonte refere que a espécie foi historicamente confundida com outras plantas do género Linaria, antes de ser descrita para a ciência em 2026.
A Câmara Municipal de Almada destaca que a descoberta aconteceu numa zona de grande valor natural, nas arribas do Tejo, um território onde a biodiversidade convive com a proximidade de uma grande área urbana. A existência de uma espécie única nesta paisagem reforça a importância da proteção destes habitats.
Uma descoberta que reforça a proteção das arribas
A identificação da Linaria almadensis chama também a atenção para a importância das arribas do Tejo, uma paisagem muitas vezes observada apenas como cenário natural entre Almada e Lisboa. Afinal, naquele território estreito e exposto, onde a pressão urbana está sempre próxima, sobrevive uma nova espécie que não é conhecida em mais nenhum ponto do planeta.
Por ter uma distribuição tão limitada, a planta passa a ter especial relevância do ponto de vista da conservação. A sua proteção depende não só do conhecimento científico, mas também da preservação do habitat onde cresce, já que qualquer alteração naquele local pode ter impacto direto numa espécie que existe apenas ali.















