O sistema Volta trouxe uma nova rotina aos consumidores portugueses, que passaram a pagar um depósito em determinadas embalagens de bebidas e só recuperam esse valor se as devolverem nos pontos próprios.
Uma pessoa que compre diariamente uma garrafa de água e não deposite a embalagem vazia pode perder cerca de 3€ por mês, ou 36€ por ano, segundo cálculos da DECO PROteste citados pelo porta-voz Nuno Figueiredo.
O valor resulta do depósito de 10 cêntimos aplicado a embalagens de bebidas abrangidas pelo sistema Volta. A DECO PROteste explica que este montante começou a ser cobrado a partir de 10 de abril em bebidas vendidas em embalagens de plástico, metais ferrosos ou alumínio, podendo ser reembolsado quando a embalagem é devolvida num ponto de recolha automática ou manual.
Que embalagens estão abrangidas?
Segundo a mesma associação, o novo sistema aplica-se a embalagens primárias não reutilizáveis de bebidas em plástico, metais ferrosos e alumínio, com volume igual ou inferior a três litros. Estão incluídas, entre outras, águas minerais, águas de nascente, sumos, néctares, refrigerantes e concentrados para diluição.
A marca oficial Volta esclarece que os produtos abrangidos são identificados com o símbolo Volta. Quando o consumidor compra uma bebida com esse símbolo, paga o depósito, que é devolvido se entregar a embalagem vazia, intacta, completa e com o código de barras legível num Ponto Volta.
“Depende muito dos hábitos de consumo de cada um, mas considerando o exemplo de uma pessoa que compra, diariamente, uma garrafa de água (e que a leva consigo); se não depositar a embalagem vazia, irá perder cerca de 3€ por mês ou 36€ ao ano”, disse Nuno Figueiredo, porta-voz da DECO PROteste, ao Notícias ao Minuto.
Ainda há dúvidas no arranque do sistema
O sistema está em vigor há cerca de um mês, mas a DECO PROteste considera que ainda é cedo para fazer um balanço fechado sobre o funcionamento do programa. Segundo Nuno Figueiredo, “de momento, ainda é cedo para conseguirmos dar uma resposta precisa a cada ponto, visto que o sistema Volta precisa de mais tempo de funcionamento para começar a ter dados mais consolidados”.
A organização de defesa do consumidor não considera que exista falta de informação sobre o tema, as regras de devolução ou a localização dos pontos de recolha. Ainda assim, admite que possam surgir dúvidas até os consumidores ganharem prática, sobretudo durante o período de transição.
“Não consideramos que exista falta de informação sobre o tema, regras para a devolução das embalagens ou locais dos pontos de recolha automática, uma vez que está disponível nos vários canais de comunicação e também junto dos supermercados.
Mas, até se ganhar prática, é possível que existam dúvidas sobre o funcionamento do sistema, nomeadamente até se concluir o período de transição (que vai até agosto para o sector HORECA)”, acrescenta.
Garrafas vazias, intactas e com código legível
De acordo com a página oficial da Volta, as embalagens só são aceites se estiverem intactas, vazias, completas, com tampa no caso das garrafas, e com o código de barras legível. Caso algum destes critérios falhe, o valor do depósito pode não ser reembolsado.
Até 9 de agosto, podem coexistir embalagens do mesmo produto com e sem símbolo Volta. Se a embalagem não tiver essa marcação, não é cobrado depósito e também não será aceite nos Pontos Volta.
O funcionamento dos pontos automáticos é simples. A máquina aceita uma embalagem de cada vez, faz a leitura para confirmar se pertence ao sistema Volta, recolhe a embalagem e apresenta depois as opções de reembolso ao consumidor.
Aeroportos também devem ser considerados
A aplicação do sistema em aeroportos é uma das situações que a DECO PROteste entende que deve ser acompanhada. Nuno Figueiredo lembra que, noutros países com sistemas semelhantes, existem soluções para os passageiros poderem esvaziar as garrafas antes do controlo de segurança sem perderem o valor do depósito.
“Um exemplo do que acontece nos países que já têm este sistema implementado há muito tempo, é permitirem às pessoas despejarem o conteúdo líquido das garrafas num contentor próprio, para não terem de deitar a embalagem fora nem perderem o valor de depósito; sendo que depois podem encher as garrafas de água nos pontos de refill espalhados pelo aeroporto”.
“Consideramos que faz todo o sentido a existência deste sistema, quer nas partidas quer nas chegadas, uma vez que aquando da compra no aeroporto os consumidores pagam o deposito”, acrescentou o porta-voz da associação.
Nem todos terão a mesma facilidade
A SDR Portugal, entidade responsável pela implementação e gestão do Sistema de Depósito e Reembolso no país, explica que o modelo Volta se aplica a embalagens de bebidas de uso único inferiores a três litros, nomeadamente garrafas e latas de plástico, metal e alumínio.
Também a Volta indica que os consumidores podem devolver embalagens nos cerca de 2.500 Pontos Volta, de recolha automática, em super e hipermercados, nos 50 Quiosques Volta presentes em 38 municípios e também em cafés, restaurantes, bares e similares onde tenham sido compradas as embalagens.
Apesar disso, a DECO PROteste alerta que o sistema deve ser bem acompanhado para garantir que todos os consumidores conseguem recuperar o depósito sem deslocações excessivas. “Não podemos ter cidadãos que não possam recuperar o valor do depósito de forma simples e expedita, sem ser necessário fazerem vários quilómetros para o efeito”, defendeu Nuno Figueiredo.
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