Em Portugal existem pontes que se destacam pela sua história e beleza, mas há uma que guarda uma singularidade invulgar. No coração de Tavira, no Algarve, existe uma ponte com uma caraterística rara: ao atravessá-la, o rio muda de nome. A Ponte Romana, construída no século XVII, é um dos símbolos da cidade e divide as águas entre o rio Sequa e o rio Gilão, guardando ainda uma lenda que explica essa singularidade, segundo aponta o blog Álbum de Viagens.
Tavira, situada no Sotavento algarvio, a apenas 22 quilómetros da fronteira com Espanha, é uma das localidades mais antigas da região. O seu passado remonta à ocupação fenícia e romana, mas foi durante o período islâmico, que durou cinco séculos, que a cidade conheceu grande desenvolvimento.
Após a conquista cristã em 1242, Tavira tornou-se um importante porto ligado ao norte de África e viveu um período de expansão durante a época dos Descobrimentos. Mais tarde, o assoreamento do rio e o terramoto de 1755 mudaram o rumo da cidade, que sobreviveu e hoje vive sobretudo do turismo e da pesca.
Uma ponte que divide um rio em dois
A Ponte Romana de Tavira, apesar do nome, foi erguida em 1667 sobre a estrutura de uma passagem mais antiga, que remontaria possivelmente ao século XII. Com sete arcos de pedra e atualmente reservada a peões, é um dos locais mais fotografados da cidade, de acordo com a fonte acima citada.
Mas a sua singularidade vai além da arquitetura. Este é o ponto exato em que o rio muda de nome. Desde a nascente, a 55 quilómetros de distância, até chegar à ponte, chama-se rio Sequa. A partir da travessia até à foz no Atlântico, passa a ser conhecido como rio Gilão.
Em muitos países existem rios que alteram de nome ao juntar-se a grandes afluentes. O Amazonas, por exemplo, é primeiro chamado de Solimões. No entanto, um rio mudar de nome ao passar por uma ponte é uma raridade, e Tavira guarda esse feito curioso.
Uma lenda de amor proibido
A tradição popular não deixou escapar esta particularidade. Conta-se que um cavaleiro cristão chamado Gilão se apaixonou pela princesa moura Sequa. O romance era proibido pelas diferenças religiosas, mas os dois encontravam-se em segredo na ponte.
Num desses encontros foram surpreendidos pelas duas facções rivais, cada uma numa das margens do rio. Desesperados, atiraram-se às águas, cada um para um lado. Desde então, o rio ficou dividido pelos seus nomes: Sequa de um lado e Gilão do outro, eternizando a tragédia amorosa.
Segundo a mesma fonte, esta lenda continua a ser contada a quem visita Tavira, acrescentando um tom romântico e misterioso ao cenário da ponte.
O rio e a vida da cidade
Ao longo do rio, seja chamado Sequa ou Gilão, multiplicam-se as esplanadas, os restaurantes e os edifícios históricos. É junto às suas margens que os turistas descansam, observam os barcos de pesca e embarcam rumo à Ilha de Tavira, uma das praias mais procuradas da região.
Do outro lado da ponte, a paisagem continua a exibir a identidade algarvia: ruas estreitas, casas com telhados de tesoura e igrejas centenárias, como a da Misericórdia e a de Santa Maria do Castelo.
Entre lendas e património
A ponte, além de guardiã desta mudança de nome, foi durante séculos a principal travessia entre margens. Hoje é um espaço de encontro, onde artistas de rua animam as noites de verão e visitantes se detêm para apreciar a vista dos casarões ribeirinhos, conforme refere o blog Álbum de Viagens.
Vista da ponte, a cidade mostra a sua harmonia entre história e modernidade, preservando edifícios como o Palácio da Galeria, onde estão expostos vestígios fenícios, e oferecendo experiências como a Câmera Obscura, instalada numa antiga caixa de água.
















