Os combustíveis continuam a ser um dos temas mais sensíveis para os consumidores portugueses, sobretudo em períodos de subida de preços. A cada aumento nas bombas surge a mesma dúvida: afinal, o que explica a diferença entre os preços praticados em Portugal e em Espanha? E, sobretudo, até que ponto os impostos têm peso nessa diferença.
A pergunta ganhou força depois de uma nova subida no preço do gasóleo e da gasolina, que levou muitos condutores a procurar abastecer antes da atualização das tabelas. Mesmo com algumas medidas de mitigação anunciadas pelo Governo, os preços voltaram a subir, reforçando o debate sobre a carga fiscal aplicada aos combustíveis.
Os dados mais recentes ajudam a esclarecer a questão e mostram que a resposta não é tão simples como parece à primeira vista.
O que mostram os preços sem impostos
De acordo com o Polígrafo, a comparação mais clara surge no boletim “Preços UE-27 Combustíveis” publicado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos referente ao terceiro trimestre de 2025.
Segundo os dados citados pela publicação, quando se retiram os impostos da equação, o preço da gasolina em Portugal fica ligeiramente abaixo do praticado em Espanha.
A ERSE indica que, no caso da gasolina 95 simples, o preço médio de venda sem impostos em Portugal era cerca de 0,9 cêntimos por litro inferior ao do país vizinho.
Ainda assim, no contexto europeu, Portugal continuava entre os países com preços relativamente elevados antes de impostos. Segundo a mesma fonte, o país ocupava a quinta posição entre os mercados com preços mais altos neste indicador.
A diferença aparece quando entram os impostos
O cenário altera-se quando são considerados os impostos aplicados aos combustíveis. Segundo os dados analisados pelo Polígrafo, a carga fiscal portuguesa é significativamente superior à espanhola.
De acordo com a ERSE, a carga fiscal sobre a gasolina em Portugal rondava os 56%, enquanto em Espanha ficava abaixo desse valor.
Essa diferença explica por que motivo o preço final pago pelos consumidores portugueses acaba por ser mais elevado.
Segundo os dados citados pela publicação, o preço médio de venda da gasolina em Portugal, já com impostos incluídos, era cerca de 21,3 cêntimos por litro superior ao praticado em Espanha.
O caso do gasóleo mostra tendência semelhante
A comparação repete-se também no caso do gasóleo, combustível amplamente utilizado em Portugal, sobretudo no transporte rodoviário.
Segundo explica o Polígrafo com base nos dados da ERSE, o preço médio nacional do gasóleo sem impostos era cerca de 2 cêntimos por litro inferior ao espanhol.
Mesmo assim, o preço final pago nas bombas acaba por ser mais alto em território nacional. A razão volta a estar relacionada com a carga fiscal aplicada ao combustível.
Segundo a mesma fonte, o peso dos impostos no gasóleo em Portugal ronda os 51%, enquanto em Espanha fica próximo dos 44%.
Como consequência, o preço médio de venda do gasóleo em Portugal era cerca de 15,2 cêntimos por litro superior ao praticado no país vizinho.
Portugal continua acima da média europeia
Além da comparação com Espanha, os dados também permitem perceber a posição de Portugal no contexto europeu. Segundo o Polígrafo, os preços dos combustíveis em Portugal situam-se acima da média da União Europeia quando são considerados os valores finais pagos pelos consumidores.
No caso da gasolina, por exemplo, o país ocupava a oitava posição entre os Estados-membros com preços mais elevados.
Este posicionamento reflete não apenas fatores fiscais, mas também variáveis como logística, margens comerciais e custos de distribuição. Ainda assim, os dados analisados indicam que a carga fiscal continua a ser um dos elementos mais determinantes para explicar a diferença entre os preços praticados em Portugal e em Espanha.
Em resumo, os números mostram que, sem impostos, gasolina e gasóleo em Portugal seriam ligeiramente mais baratos do que no país vizinho. A diferença que se observa nas bombas resulta sobretudo do peso fiscal aplicado aos combustíveis.
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