Uma publicação que circula nas redes sociais acusa a Câmara Municipal da Marinha Grande de atribuir casa, pagamento de água e luz, “scooters” elétricas e 500 euros por cada criança que frequenta a escola. Apesar de o texto não identificar diretamente os beneficiários, a denúncia tem sido associada à comunidade cigana. Segundo a verificação do Polígrafo, a alegação é enganadora e resulta de uma leitura descontextualizada de um projeto municipal de apoio social.
A publicação, da autoria de Luís Paulo Fernandes, vereador municipal do Chega em Leiria e deputado na Assembleia da República, afirma que na Marinha Grande “há portugueses a quem a Câmara Municipal dá: casa, água, luz, scooters eléctricas e ainda 500 euros para cada menino ir à escola”. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e motivou vários pedidos de esclarecimento enviados ao Polígrafo.
Embora a publicação não diga expressamente que os apoios se destinam à comunidade cigana, essa foi a interpretação feita por vários utilizadores. Contactado pelo Polígrafo, o presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, rejeitou que exista qualquer favorecimento ou privilégio atribuído a esta comunidade em relação aos restantes munícipes.
Famílias ficaram desalojadas após a depressão Kristin
De acordo com a informação recolhida pelo Polígrafo, o caso estará relacionado com um projeto de capacitação e integração social promovido pelo município. Em causa estão agregados familiares da comunidade cigana, num total de 32 pessoas, das quais 17 são crianças, que ficaram desalojadas na sequência da passagem da depressão Kristin pelo concelho.
O presidente da autarquia classificou a publicação como “demagógica” e considerou que promove “ódio e discriminação”. Paulo Vicente sublinhou que a intervenção municipal não corresponde a um regime especial de benefícios, mas sim a uma resposta social dirigida a famílias em situação de vulnerabilidade, após uma ocorrência concreta que deixou várias pessoas sem habitação.
A alegação de que a Câmara Municipal da Marinha Grande atribui, de forma generalizada, casa, água, luz, “scooters” elétricas e 500 euros por cada criança que frequenta a escola não corresponde, por isso, ao quadro descrito pelo município. Segundo o Polígrafo, a publicação mistura diferentes elementos de um projeto social e apresenta-os como se fossem privilégios atribuídos a um grupo específico.
O caso insere-se num contexto de apoio a famílias desalojadas e de medidas de integração social, não numa política municipal de atribuição indiscriminada dos apoios referidos. A conclusão do Polígrafo é que a publicação é enganadora, por omitir o contexto da intervenção e por sugerir uma vantagem indevida que a Câmara da Marinha Grande nega existir.
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