Luís Represas morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos. Ao início da manhã, foi confirmado que o cantor, uma das vozes mais conhecidas da música portuguesa, tinha morrido vítima de doença prolongada. Mais tarde, foi revelado que sofria de cancro do pulmão em estado avançado.
O artista preparava-se para assinalar 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e o percurso a solo. A notícia da sua morte motivou várias reações públicas e voltou também a chamar a atenção para uma doença que, muitas vezes, pode evoluir sem sinais claros numa fase inicial.
Cancro do pulmão é um dos mais frequentes
De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o cancro do pulmão é um dos tipos de cancro mais frequentes. Os tumores que têm origem no pulmão dividem-se em dois grupos principais: cancro do pulmão de não pequenas células e cancro do pulmão de pequenas células.
Esta distinção depende do aspeto das células quando observadas ao microscópio. Segundo a mesma entidade, estes dois tipos de cancro crescem e metastizam de formas diferentes, tendo comportamentos distintos. Por essa razão, também podem exigir abordagens terapêuticas diferentes.
Apesar de ser frequentemente associado ao tabaco, o cancro do pulmão pode ter vários fatores de risco. O SNS24 indica que, além do tabagismo, devem ser tidos em conta a história familiar, a predisposição genética, a exposição a ambientes nocivos e algumas doenças respiratórias.
Quais são os principais fatores de risco?
O tabaco continua a ser o fator de risco mais conhecido e mais associado ao cancro do pulmão. No entanto, não é o único. A exposição à poluição, ao amianto e a substâncias radioativas pode também aumentar o risco de desenvolvimento da doença.
O SNS24 aponta ainda doenças respiratórias como a tuberculose, a silicose e a fibrose pulmonar entre os fatores que devem ser considerados. A história familiar e a predisposição genética podem igualmente ter influência, dependendo de cada caso.
A combinação de fatores ambientais, hábitos de vida e predisposição individual pode tornar o risco mais elevado. Por isso, a prevenção passa sobretudo pela redução da exposição aos fatores que podem ser evitados.
Sintomas podem ser confundidos com outras doenças
Numa fase inicial, o cancro do pulmão pode ser uma doença silenciosa. Em muitos casos, os sintomas são pouco específicos e podem ser confundidos com outras condições respiratórias menos graves, o que contribui para que a doença seja detetada já numa fase mais avançada.
Entre os sinais indicados pelo SNS24 estão falta de ar, rouquidão, agravamento da expetoração, tosse com sangue, perda de apetite, perda de peso e fadiga acentuada. A persistência ou agravamento destes sintomas deve levar à avaliação por profissionais de saúde.
A deteção precoce pode fazer diferença no acompanhamento da doença. Quando o diagnóstico é feito numa fase inicial, as hipóteses de tratamento e controlo podem ser maiores, dependendo sempre do tipo de tumor, do estado da doença e da condição clínica do doente.
Como reduzir o risco?
Segundo o SNS24, não fumar ou deixar de fumar é a medida mais eficaz para diminuir o risco de cancro do pulmão. A mesma fonte recomenda ainda evitar o fumo passivo, reduzir a exposição à poluição do ar e a substâncias tóxicas no local de trabalho, como o amianto.
A adoção de hábitos de vida saudáveis também é indicada como uma forma de reduzir riscos, embora não exista uma forma de prevenção total. O rastreio, geralmente realizado através de TAC em pessoas com critérios específicos, pode permitir detetar a doença numa fase inicial, mesmo antes do aparecimento de sintomas.
Quanto ao tratamento, este depende de vários fatores e deve ser definido caso a caso. Cirurgia, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia estão entre as abordagens utilizadas. A escolha é feita pela equipa médica, em diálogo com o doente, procurando o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança e qualidade de vida.
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