Os trabalhadores do canal de televisão Conta Lá manifestaram preocupação com o futuro do projeto, numa altura em que a empresa enfrenta dificuldades financeiras, acumula dois meses de salários em atraso e vê o seu presidente executivo, Sérgio Figueiredo, abandonar funções. De acordo com a agência de notícias Lusa, o coletivo garante, contudo, que continua empenhado em encontrar soluções que permitam assegurar a continuidade da estação.
Na quarta-feira, 15 de julho, realizou-se um plenário para analisar a situação da empresa, coincidindo com o anúncio da saída de Sérgio Figueiredo. Na comunicação enviada aos trabalhadores, o ainda CEO informou também que será convocada, até ao final do mês, uma assembleia-geral de acionistas destinada a aprovar um plano de reestruturação.
Salários em atraso aumentam inquietação
Durante o plenário, os trabalhadores decidiram pedir esclarecimentos à administração sobre vários temas considerados prioritários. Entre eles estão os dois meses de salários em atraso, que poderão transformar-se em três no final de julho caso não sejam efetuados pagamentos, bem como a viabilidade financeira da empresa, a identidade de eventuais novos acionistas, o conteúdo da reestruturação e a possibilidade de ser aplicado um regime de lay-off.
No comunicado divulgado, os profissionais admitem a preocupação quanto ao futuro laboral, mas fazem questão de destacar a relevância do projeto desenvolvido desde a criação do canal. Referem que, perante as dificuldades conhecidas, consideraram “imperativo dar nota pública” da importância estratégica, social e cultural do trabalho realizado.
Defesa da informação de proximidade
Criado como um canal de televisão por cabo dedicado às regiões, o Conta Lá apostou numa programação centrada no jornalismo de proximidade, complementada por conteúdos publicados no site oficial e nas redes sociais.
Os trabalhadores defendem que essa aposta permitiu dar visibilidade a territórios frequentemente afastados da atenção mediática nacional. “Num momento de incerteza e angústia”, sublinham, o projeto continuou a cumprir uma missão de serviço público, retratando “Portugal como um todo” e dando voz a comunidades, iniciativas e projetos que raramente ocupam espaço nos grandes meios de comunicação.
Projeto voltado para o território
Ao longo de cerca de um ano de atividade, o canal procurou destacar realidades locais e acompanhar iniciativas de desenvolvimento económico, social e cultural espalhadas pelo país.
Segundo a mesma fonte, os trabalhadores consideram que o Conta Lá ajudou a contrariar aquilo que descrevem como o risco de criação de um “deserto de notícias” em muitas regiões, onde os projetos locais tinham reduzida exposição televisiva e informativa. Na nota divulgada, acrescentam que o canal foi pioneiro na valorização de iniciativas localizadas fora dos principais centros urbanos.
Futuro depende da reestruturação
A saída de Sérgio Figueiredo, o CEO, acontece numa fase considerada decisiva para o futuro da empresa. A assembleia-geral de acionistas deverá definir os próximos passos da reestruturação e clarificar o modelo de continuidade do projeto.
Os trabalhadores aguardam respostas sobre a estratégia financeira e organizacional, ao mesmo tempo que mantêm a expectativa de que seja possível preservar a atividade do canal e os postos de trabalho. Até ao momento, não foram divulgados detalhes sobre o eventual plano de recuperação.
Trabalhadores garantem união
Apesar da incerteza, o comunicado termina com uma mensagem de compromisso. Os profissionais afirmam que continuam unidos na procura de soluções que assegurem a viabilidade da empresa e a continuidade da sua missão editorial.
“Os trabalhadores do Conta Lá orgulham-se do impacto e da relevância do serviço prestado ao país” e acreditam que defender o projeto significa também defender “um território nacional mais coeso, informado e democraticamente representado”. De acordo com a Lusa, o canal emprega cerca de uma centena de trabalhadores, dos quais aproximadamente 40 são jornalistas.
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