Os dois sismos que atingiram a Venezuela voltaram a mostrar como uma sequência de abalos pode causar danos muito acima do esperado. Portugal não apresenta exatamente o mesmo risco que o país sul-americano, mas também possui zonas e edifícios vulneráveis.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos confirmou que um sismo de magnitude 7,2 foi seguido, cerca de 40 segundos depois, por outro de magnitude 7,5 na Venezuela. Uma sequência tão próxima aumenta o perigo porque o segundo abalo atinge construções que foram imediatamente antes danificadas pelo primeiro.
Portugal também é sensível ao risco sísmico
Segundo o especialista em Engenharia Sísmica Xavier Romão, Portugal também poderia estar exposto a danos graves num cenário semelhante ao da Venezuela. O mesmo explicou que a resistência de um edifício depende da idade, das regras usadas na construção, do tipo de solo e do estado de conservação. Por esses motivos, dois prédios lado a lado podem reagir de forma muito diferente ao mesmo sismo.
No nosso país, o maior risco está nos edifícios construídos antes dos anos 2000, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990. Estas construções seguiram normas menos exigentes e não foram preparadas para abalos com uma força tão elevada.
Na Venezuela, muitas construções informais foram ainda erguidas sem acompanhamento técnico. Para Xavier Romão, o conhecimento para reforçar estes edifícios existe, mas faltam programas públicos e dinheiro para fazer as obras necessárias.
O nosso país é considerado pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil como um território particularmente sensível aos sismos. O risco não depende apenas da força do abalo, mas também de fatores como a localização, o tipo de terreno e a resistência dos edifícios atingidos. A própria Proteção Civil alerta que os solos podem aumentar o movimento sísmico ou sofrer liquefação. Por essa razão, dois edifícios próximos podem reagir de forma diferente, mesmo durante o mesmo sismo.
Construções antigas levantam mais preocupações
O Laboratório Nacional de Engenharia Civil reconhece que existem em Portugal várias construções vulneráveis à atividade sísmica. Posto isto, a Proteção Civil recomenda mesmo que as zonas urbanas antigas ou degradadas sejam identificadas e intervencionadas, sobretudo aquelas que se encontram em áreas de maior perigo.
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