Portugal pode estar a ganhar terreno como o novo destino de eleição para milhares de britânicos. Durante muito tempo, e de acordo com o jornal espanhol HuffPost, foi Espanha quem ocupou o topo das preferências, graças ao clima ameno, qualidade de vida e custos acessíveis. Contudo, este cenário parece estar a mudar.
Durante décadas, várias regiões espanholas habituaram-se a receber um fluxo constante de visitantes vindos do Reino Unido, sobretudo nos meses mais quentes. Praias extensas, clima favorável e gastronomia mediterrânica faziam parte do pacote que encantava milhares de britânicos.
Os incentivos que atraíam investidores
Nos últimos anos, um dos grandes incentivos à instalação de estrangeiros em Espanha foi o programa dos chamados “Golden Visa”, criado em 2013. Este regime permitia a cidadãos de fora da União Europeia a obtenção de uma autorização de residência mediante a compra de um imóvel de, pelo menos, 500 mil euros.
Com esta medida, as autoridades espanholas procuraram atrair investimento externo e dinamizar o setor imobiliário, que ainda se ressentia da crise financeira. O resultado foi uma afluência significativa de compradores, entre os quais muitos britânicos.
Mudança nas políticas espanholas
Apesar dos benefícios económicos, o governo espanhol decidiu recentemente acabar com este mecanismo. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, em novembro de 2024, pondo fim a mais de uma década de benefícios dirigidos a investidores estrangeiros.
Acesso à habitação em causa
A principal justificação avançada para o fim do programa prende-se com o seu impacto no mercado habitacional local. O Executivo espanhol considera que a aquisição massiva de casas por não residentes encareceu os preços e dificultou o acesso à habitação por parte da população.
Portugal aproveita o momento
Com Espanha fora da equação, Portugal ganha destaque entre os destinos mais procurados pelos britânicos para este tipo de investimento. Além da proximidade geográfica e cultural, as condições oferecidas continuam a ser vantajosas para os interessados em obter residência através do investimento.
Ao contrário de Espanha, o regime português de Visto Gold permanece em vigor e tem vindo a ser otimizado. Várias medidas foram tomadas nos últimos meses para agilizar os processos e reduzir a burocracia, tornando o procedimento mais transparente e célere.
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Números que comprovam o crescimento
A modernização administrativa tem contribuído para um aumento significativo na procura. Dados recentes mostram que, em 2024, o número de imóveis adquiridos ao abrigo dos Vistos Gold em Portugal subiu 165% em relação ao ano anterior.
Estes números demonstram que o nosso país está a aproveitar a oportunidade para captar novos investidores. Segundo a mesma fonte, o regime já permitiu atrair mais de 6.200 milhões de libras para Portugal, um contributo relevante para a economia nacional.
Outros países seguem a mesma linha
Entretanto, outros países também começam a seguir o mesmo caminho. A Grécia, por exemplo, está a avaliar formas de facilitar o acesso à residência para estrangeiros, prometendo processos simplificados e decisões em apenas 60 dias, de acordo com o HuffPost.
Benefícios para vários setores
Programas como os Vistos Gold revelam-se eficazes para estimular o investimento estrangeiro e impulsionar sectores como o imobiliário e o turismo. Ao manter este modelo, Portugal posiciona-se de forma estratégica no contexto europeu.
Um crescimento que exige equilíbrio
Embora a chegada de mais investidores estrangeiros represente uma oportunidade económica para Portugal, especialmente em regiões como o Algarve, cresce também o debate sobre os efeitos deste fenómeno nas comunidades locais.
À semelhança do que aconteceu em Espanha, começam a surgir vozes críticas que alertam para o impacto do turismo intensivo e da especulação imobiliária no acesso à habitação e na qualidade de vida dos residentes.
Mudança pode beneficiar o Algarve
Com Espanha a fechar as portas a este tipo de investimento, resta saber se os países vizinhos conseguirão acolher os investidores que procuram alternativas. A mudança de cenário pode representar uma vantagem competitiva para destinos como o Algarve. Se a tendência se mantiver, Portugal poderá assumir um papel ainda mais central no mapa europeu de investimento residencial.
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