Num momento em que muitos jovens procuram estabilidade profissional e conciliam estudos com empregos pouco valorizados, a história de uma jovem australiana de 21 anos tem despertado enorme curiosidade. Trabalha cerca de 25 horas por semana, ganha 16.100 dólares australianos por mês, perto de 9.000 euros, e tornou-se um caso de sucesso inesperado no setor da limpeza, segundo o jornal El Economista.
Charlotte Bosanquet começou a trabalhar ainda durante a universidade, quando realizava serviços de limpeza para conseguir pagar despesas do dia a dia. O objetivo inicial passava por juntar algum dinheiro enquanto seguia o sonho de se tornar polícia, mas esse plano acabou por mudar de forma abrupta.
A jovem de 21 anos perdeu o emprego durante a pandemia e decidiu criar a sua própria empresa. Foi assim que nasceu a Care Cleaning Agency, em Sydney, na Austrália. Poucas semanas depois de iniciar a atividade, recebeu centenas de pedidos de clientes que procuravam ajuda urgente para lidar com casas em estado crítico.
Uma empresa especializada em casos complexos
O que começou por necessidade transformou-se numa estrutura sólida, com nove trabalhadores a tempo inteiro. A agência tornou-se especializada em ajudar pessoas que enfrentam acumulação extrema de objetos, situação frequentemente ligada a problemas de saúde mental, conforme refere a mesma fonte.
A principal função da equipa é realizar o primeiro grande processo de limpeza, muitas vezes em ambientes que exigem um nível de intervenção física e emocional muito superior ao habitual. Apesar das dificuldades, Charlotte garante que o trabalho é altamente compensador.
Rendimento elevado e horários concentrados
A rotina diária de cinco horas, de segunda a sexta-feira, foi pensada para beneficiar os colaboradores. A empresária afirma que o trabalho, embora exigente, proporciona qualidade de vida e flexibilidade raras em empregos tradicionais.
Esta história tornou-se viral nas redes sociais, onde Charlotte defende a importância do setor e critica a forma como muitos desvalorizam os profissionais de limpeza. Na sua perspetiva, existe ainda um grande estigma associado à profissão.
“Dá mais dinheiro do que um emprego das 9h às 18h”
Charlotte admite que nunca trabalhou tanto como agora, sublinhando que o esforço é superior ao que viveu enquanto estudava na universidade. Ainda assim, reconhece que os resultados compensam.
“É mais difícil do que fazer um curso universitário, pelo menos para mim. No fim das contas, dá mais dinheiro fazer limpezas do que trabalhar em empregos full-time das 9h às 18h”, afirmou, citada pelo El Economista. Acrescentou ainda que o trabalho não é para todos, mas, para si, é profundamente gratificante.
Setor em Portugal
Aquilo que começou como uma forma de enfrentar dificuldades financeiras acabou por dar origem, no caso de Charlotte, a uma atividade bem remunerada, estável e com grande procura na Austrália.
Em Portugal, o setor da limpeza pode também revelar-se uma oportunidade, com um aumento da procura por serviços especializados e uma crescente profissionalização da atividade, fatores que estão a abrir espaço para novos projetos e para modelos de negócio mais valorizados.
















