Há lugares que passam despercebidos durante anos até que um acontecimento lhes dá visibilidade internacional. Foi o que aconteceu durante o Mundial de 2026, quando várias seleções pouco habituais nesta competição despertaram a curiosidade de quem acompanhava os jogos, como é o caso desta ilha paradisíaca nas Caraíbas.
Entre países como Cabo Verde e Uzbequistão, Curaçau tornou-se uma das grandes descobertas do torneio. A estreia da seleção levou muitos adeptos a procurar onde fica esta pequena ilha das Caraíbas e o que poderá encontrar quem decidir visitá-la.
Onde fica Curaçau?
Localizada no sul das Caraíbas, perto da costa da Venezuela, Curaçau pertence ao grupo das chamadas ilhas ABC, juntamente com Aruba e Bonaire, de acordo com a Meteored. Desde 2010, é um país autónomo integrado no Reino dos Países Baixos.
A ilha dispõe de governo e parlamento próprios para gerir os assuntos internos. A defesa e parte da política externa continuam, porém, sob responsabilidade do reino neerlandês. Com cerca de 155 a 160 mil habitantes, Curaçau tornou-se também um dos países mais pequenos de sempre a participar num Campeonato do Mundo de futebol.
Identidade marcada por várias culturas
Antes da chegada dos europeus, a ilha era habitada por povos arawak. Os espanhóis chegaram no final do século XV, mas Curaçau só ganhou maior importância estratégica depois de passar para o domínio neerlandês, em 1634.
Ao longo dos séculos, a ilha funcionou como entreposto marítimo e comercial. Esse passado explica a mistura de influências africanas, latino-americanas, sefarditas, caribenhas e neerlandesas que permanece visível na arquitetura, na gastronomia e nos costumes locais.
Um dos principais símbolos desta identidade é o papiamentu. Embora o neerlandês também seja língua oficial e continue presente na administração e no ensino, o papiamentu é o idioma mais utilizado no quotidiano. Esta língua crioula combina elementos do português, espanhol, neerlandês, inglês e de várias línguas africanas. Por esse motivo, algumas palavras e sonoridades podem parecer familiares aos visitantes portugueses.
Willemstad é o ponto de partida
A capital, Willemstad, concentra alguns dos locais históricos mais conhecidos da ilha. O centro da cidade está classificado como Património Mundial pela UNESCO e distingue-se pelas fachadas coloniais coloridas junto ao mar, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Punda é a zona mais antiga e reúne lojas, esplanadas e vários dos edifícios mais fotografados. Do outro lado encontra-se Otrobanda, um bairro marcado pela arte urbana, pelos cafés e por uma vivência mais próxima da população local. As duas áreas estão ligadas pela ponte flutuante Queen Emma. A estrutura abre sempre que é necessário permitir a passagem de embarcações pelo canal.
Praias de água transparente
Curaçau possui mais de três dezenas de praias e pequenas enseadas. Kenepa Grandi é uma das mais conhecidas, com um areal rodeado por falésias e água transparente.
Cas Abao combina a paisagem com várias infraestruturas, enquanto Playa Lagun é mais pequena e resguardada. Playa Porto Mari, Mambo Beach e a ilha desabitada de Klein Curaçau são outras das zonas costeiras mais procuradas.
Os recifes de coral ficam, em muitos casos, perto da costa, permitindo fazer mergulho ou snorkel sem percorrer grandes distâncias. Em Playa Piskadó é frequente observar tartarugas marinhas, embora a crescente procura do local tenha reforçado a necessidade de proteger os animais e o ecossistema.
Temperaturas elevadas durante quase todo o ano
A ilha encontra-se fora do principal corredor de furacões das Caraíbas, o que contribui para condições meteorológicas relativamente estáveis ao longo do ano. As temperaturas permanecem elevadas na maioria dos meses e a água do mar mantém-se quente. Na época mais húmida, a precipitação ocorre habitualmente sob a forma de aguaceiros curtos.
Gastronomia mistura várias influências
A diversidade cultural também está presente na cozinha. Entre os pratos tradicionais encontram-se o karni stobá, um estufado de carne, o kabritu stobá, preparado com cabra, e o funchi, um acompanhamento à base de milho semelhante à polenta.
O peixe, o marisco e os guisados também fazem parte da alimentação local. A ilha é ainda conhecida pelo Blue Curaçao, um licor produzido a partir da casca de uma variedade de laranja amarga cultivada no território.
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