O furacão Melissa, de categoria 5, atingiu a Jamaica na manhã de 28 de outubro e deixou atrás de si um cenário de devastação. Com ventos sustentados de 295 km/h e uma pressão mínima de 892 hPa, tornou-se um dos ciclones tropicais mais intensos a tocar terra no Atlântico desde que há registos.
De acordo com o site de meteorologia Meteored, especializado em fenómenos atmosféricos, o Melissa provocou danos severos em várias regiões da ilha. Ventos extremos, chuvas torrenciais e marés de tempestade destruíram casas, bloquearam estradas e deixaram milhares de pessoas sem eletricidade. As autoridades locais iniciaram já as operações de limpeza e reconstrução, um processo que deverá prolongar-se durante semanas.
Um furacão que entra para a história
O Melissa igualou o histórico furacão do “Dia do Trabalho”, de 1935, que também registou uma pressão mínima de 892 hPa. Ambos partilham agora o título de furacões mais intensos alguma vez registados no Atlântico.
Durante uma missão de reconhecimento, o avião caçador de furacões da NOAA foi obrigado a regressar à base devido à turbulência extrema. Segundo a mesma fonte, os sensores registaram rajadas superiores a 400 km/h, um valor raramente observado em missões deste tipo.
A rápida intensificação do Melissa deveu-se à sua deslocação lenta sobre águas muito quentes. Avançava a apenas 4 km/h sobre o mar das Caraíbas, com temperaturas próximas dos 30 °C, o que permitiu uma acumulação excecional de energia antes de atingir o sudoeste da Jamaica.
O caminho pelas Caraíbas
Depois de devastar a ilha, o Melissa seguiu em direcção a norte, perdendo alguma força mas mantendo-se perigoso. Segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC), o sistema é agora um furacão de categoria 3, com ventos de 185 km/h e pressão central de 960 hPa. As previsões apontam para a passagem pelas Bahamas e Bermudas nos próximos dias.
A NOAA alerta ainda para marés de tempestade que poderão elevar o nível do mar entre dois e quatro metros em zonas do leste de Cuba e nas Ilhas Turcas e Caicos.
As chuvas intensas continuarão a ser uma ameaça, com previsões de 70 a 150 milímetros de precipitação sobre a Jamaica e mais de 500 milímetros no leste de Cuba.
E Portugal, deve preocupar-se?
Apesar da dimensão do fenómeno, os especialistas afastam para já qualquer risco directo para Portugal. O trajecto do Melissa coloca-o a deslocar-se para norte e depois para nordeste, sobre o Atlântico ocidental, sem indicação de aproximação à Europa.
Ainda assim, furacões desta intensidade são capazes de gerar ondulação de longo alcance e alterar o comportamento das frentes meteorológicas. É possível que nas próximas semanas se registem períodos de mar mais agitado e alguma instabilidade associada às massas de ar deslocadas pelo sistema.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera acompanha a evolução do Melissa e poderá emitir avisos se houver alterações significativas no estado do mar. Para já, as autoridades recomendam apenas precaução junto à costa e atenção aos boletins meteorológicos.
Segundo o Meteored, a Jamaica enfrenta agora o início de um longo processo de reconstrução, enquanto o Atlântico segue em alerta. O Melissa ficará registado como um dos furacões mais intensos e destrutivos do século XXI.
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