Duas meninas de Chicago, de quatro e nove anos, foram encontradas sozinhas dentro de casa durante a época de Natal, depois de os pais terem viajado para o México durante nove dias. O caso, inicialmente relatado em 1992 e agora recuperado pela People, revista semanal americana de celebridades e de histórias de interesse humano, continua a impressionar pela forma como as crianças foram deixadas sem qualquer supervisão adulta.
O episódio aconteceu a 21 de dezembro de 1992, numa altura em que o filme Sozinho em Casa estava ainda muito presente na cultura popular. Mas, tal como recorda a People, a realidade aqui esteve longe de qualquer tom leve.
As menores, Diana e Nicole Schoo, foram deixadas sem ama, sem telefone e apenas com refeições congeladas, cereais e um bilhete com instruções básicas sobre horários de alimentação e deitar.
O alarme que levou à descoberta
A situação veio à tona quando as crianças bateram à porta da vizinha, Connie Stadelmann, dizendo que o alarme de incêndio tinha disparado. De acordo com a publicação, os bombeiros e a polícia foram chamados ao local e, embora não houvesse incêndio, encontraram algo mais grave: duas menores totalmente sozinhas numa casa preparada apenas com comida pré-embalada.
Após o primeiro contacto, as autoridades iniciaram a investigação e perceberam rapidamente que os pais tinham saído de Chicago no dia anterior para uma viagem de lazer ao México. As meninas acabaram por ser retiradas do local e entregues temporariamente à avó, sendo depois acolhidas num abrigo enquanto se tentava localizar o casal.
Não era a primeira vez que ficavam sozinhas
Segundo a mesma publicação, o abandono não era um episódio isolado. No verão anterior, as duas já tinham sido deixadas sozinhas durante quatro dias, enquanto os pais seguiam numa viagem a Massachusetts. Esse histórico levantou preocupações acrescidas sobre a segurança das menores e sobre o ambiente familiar.
Os pais, David Schoo, de 45 anos na altura, e Sharon Schoo, de 35, foram encontrados dias depois num controlo fronteiriço no aeroporto de Houston, quando regressavam ao país após as férias. A detenção chamou a atenção dos media e rapidamente transformou o caso num tema nacional.
O casal enfrentou acusações graves
O Ministério Público avançou com acusações de abandono de menores e crueldade infantil, além de negligência. De acordo com a People, o caso acabou por não chegar a julgamento, graças a um acordo que resultou numa pena de dois anos de liberdade condicional.
A mesma revista refere ainda que David Schoo tinha formação em Ciências Farmacêuticas, tendo entregue a licença anos antes após admitir ter desviado quase dois mil comprimidos de Valium de uma farmácia. Só posteriormente se dedicou à engenharia.
Já Sharon era descrita pelo próprio pai como alguém extremamente reservada, embora tal descrição nunca tenha sido suficiente para explicar os episódios registados.
Uma história que continua a marcar
Mais de três décadas depois, o caso permanece como um dos episódios de abandono infantil mais ‘emblemáticos’ nos anos 90. A idade das meninas, o período festivo e a aparente normalidade da família transformaram este episódio num alerta para situações de risco que, muitas vezes, só vêm à superfície quando algo corre realmente mal.
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