A Rússia entregou à Marinha o K-329 Belgorod, um submarino nuclear de missão especial concebido para operar drones subaquáticos nucleares Poseidon, um sistema que Moscovo apresenta como capaz de atingir alvos costeiros a distâncias intercontinentais. O sistema foi testado com sucesso pelos russos no final de 2025.
Gigante submerso que transporta armas nucleares autónomas
O Belgorod pertence ao Projeto 09852 e foi desenvolvido a partir de um casco originalmente associado ao Projeto 949A Antey, conhecido pela NATO como classe Oscar II. Segundo a agência estatal russa TASS, o submarino foi relançado como plataforma de missão especial e entregue formalmente à Marinha russa pela Sevmash, em 8 de julho de 2022.
A própria TASS descreveu o Belgorod como o primeiro submarino destinado a transportar drones subaquáticos nucleares Poseidon, acrescentando que a embarcação também pode cumprir tarefas de investigação, busca e salvamento, além de transportar veículos submersíveis autónomos e de águas profundas.
Ameaça silenciosa que percorre milhares de quilómetros
O Poseidon, anteriormente associado ao nome Status-6, é apresentado pela Rússia como um veículo subaquático não tripulado, com propulsão nuclear e capacidade para transportar ogivas convencionais ou nucleares. Em 2018, o Ministério da Defesa russo afirmou que o sistema estava em testes para confirmar características de movimento autónomo e desempenho em ambiente real.
De acordo com a versão divulgada por Moscovo, o Poseidon foi concebido para atingir infraestruturas costeiras a distâncias intercontinentais e para combater grupos navais, incluindo formações lideradas por porta-aviões. A Rússia afirma ainda que a profundidade de operação, a velocidade e a rota imprevisível tornam o sistema extremamente difícil de intercetar, embora esses dados não sejam verificáveis de forma independente.
Ensaio anunciado por Putin voltou a colocar o sistema em destaque
Em outubro de 2025, Vladimir Putin afirmou que a Rússia tinha testado com sucesso o Poseidon a partir de um submarino portador e que, pela primeira vez, tinha sido ativada a unidade de propulsão nuclear do veículo durante o ensaio. A agência internacional de notícias Reuters noticiou que o presidente russo apresentou o teste como uma demonstração de capacidade militar num contexto de elevada tensão com o Ocidente.
Putin afirmou também que o Poseidon não teria equivalente em velocidade e profundidade de operação, garantindo que “não há forma” de o intercetar. A agência internacional de notícias Associated Press sublinhou, contudo, que Moscovo não revelou o local do teste nem detalhes técnicos independentes que permitam confirmar todas as alegações russas.
Um torpedo nuclear pensado para atingir zonas costeiras
Analistas militares descrevem o Poseidon como uma mistura entre torpedo e drone subaquático nuclear. A Reuters referiu que especialistas em controlo de armamento estimam que o sistema possa transportar uma ogiva de cerca de dois megatons e ser alimentado por um reator nuclear compacto, características que o colocam fora das categorias tradicionais de dissuasão nuclear.
Algumas análises apontam que o Poseidon foi desenhado para ameaçar zonas costeiras, bases navais e infraestruturas críticas através de explosões nucleares subaquáticas, com potencial para provocar contaminação radioativa e grandes ondas oceânicas. A NTI, organização especializada em riscos nucleares, refere que o sistema é conhecido como Poseidon na Rússia e Kanyon nos Estados Unidos.
Para lá da função nuclear, há missões secretas no fundo do mar
Apesar da ligação ao Poseidon, o Belgorod não é apenas uma plataforma nuclear. Fontes russas citadas pela TASS indicam que o submarino foi concebido para missões de investigação, salvamento e operação de veículos subaquáticos autónomos ou de grande profundidade, o que reforça a ideia de que pode ter também funções em operações especiais no fundo do mar.
A Federação de Cientistas Americanos refere que a Rússia está a desenvolver submarinos especialmente configurados para transportar o Poseidon e identifica o Belgorod como o primeiro desses navios, com capacidade reportada para levar até seis torpedos deste tipo.
Uma nova fase da estratégia submarina russa
O aparecimento do Belgorod e do Poseidon mostra uma aposta russa em armas estratégicas fora do modelo clássico dos mísseis balísticos. Em vez de voarem pelo espaço e atravessarem sistemas antimíssil, estes drones subaquáticos podem deslocar-se debaixo de água, tentando contornar as atuais defesas estratégicas.
Para Moscovo, o Poseidon é apresentado como uma resposta ao escudo antimíssil dos Estados Unidos e à expansão da NATO, argumentos que Putin tem repetido desde que revelou publicamente estes sistemas em 2018. Para os países ocidentais, porém, o Belgorod representa uma nova dimensão da ameaça submarina russa, combinando dissuasão nuclear, operações especiais e capacidade de atuação em grandes profundidades.
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