Trinta anos depois de um dos homicídios mais mediáticos da história da música, um júri considerou Duane Davis culpado pela morte do rapper Tupac Shakur. O antigo membro de um gangue de Los Angeles estava acusado de ter participado na preparação do crime ocorrido em Las Vegas, em 1996.
Segundo avança a Lusa, a decisão foi conhecida na segunda-feira, 31 de agosto, depois de os jurados precisarem de apenas algumas horas para chegar a um veredicto. Duane Davis foi considerado culpado de homicídio qualificado com uso de arma letal.
O caso atravessou três décadas sem que ninguém tivesse sido condenado pela morte de Tupac Shakur, uma das figuras mais influentes do rap. O músico tinha apenas 25 anos quando morreu.
Ao longo destas três décadas, o mistério em torno da morte de Tupac Shakur alimentou inúmeras investigações, teorias e produções audiovisuais. Mais de 30 documentários, séries documentais e especiais abordaram a vida do rapper ou as circunstâncias do homicídio, transformando o caso num dos crimes mais escrutinados da história da música.
O que aconteceu a Tupac Shakur?
Na noite de 7 de setembro de 1996, Tupac Shakur encontrava-se em Las Vegas, onde tinha assistido a um combate de boxe de Mike Tyson.
O rapper seguia posteriormente de carro quando foram efetuados vários disparos a partir de um Cadillac branco. Tupac ficou gravemente ferido e morreu seis dias depois.
Durante anos, as circunstâncias do homicídio alimentaram dúvidas, teorias e investigações, sem que fosse possível levar alguém a julgamento pelo crime.
Quem é o homem agora considerado culpado?
Duane Davis é um antigo membro dos South Side Compton Crips, gangue de Los Angeles, e era apontado pela acusação como uma figura com autoridade dentro do grupo.
Segundo a tese apresentada em tribunal, o homicídio terá resultado de uma retaliação por uma agressão ocorrida horas antes dos disparos.
Tupac Shakur tinha participado numa agressão a Orlando Anderson, sobrinho de Duane Davis. Para a acusação, este episódio desencadeou uma ação de vingança.
O procurador Binu Palal defendeu que Davis conseguiu a arma, organizou o grupo e participou na perseguição ao rapper.
Declarações feitas durante anos ganharam peso no caso
Um dos elementos centrais do processo foram as declarações que o próprio Duane Davis foi fazendo ao longo dos anos.
Em 2008, admitiu perante investigadores que estava no Cadillac branco de onde partiram os disparos. Essas declarações foram feitas no âmbito de um acordo que lhe concedia imunidade parcial e, por isso, não puderam ser utilizadas contra ele em tribunal.
Davis continuou, porém, a falar publicamente sobre o caso. Em 2019, publicou um livro de memórias no qual afirmou que seguia no banco do passageiro e que passou a arma aos ocupantes que estavam no banco traseiro, sem identificar quem disparou.
A publicação acabaria por desempenhar um papel importante no regresso do caso às atenções das autoridades. Duane Davis foi detido em setembro de 2023.
Defesa diz que não existem provas materiais
Durante o julgamento, Duane Davis declarou-se inocente e passou a sustentar que o conteúdo do livro tinha sido ficcionado pelo coautor. Alegou ainda que estava em Los Angeles na noite em que Tupac foi baleado.
A defesa procurou também colocar em causa as declarações públicas feitas pelo antigo membro do gangue, argumentando que estas serviam para chamar a atenção e ajudar a vender o livro.
O advogado Michael Sanft destacou ainda aquilo que considera ser uma das principais fragilidades da acusação: a ausência de provas materiais que coloquem Davis no local do crime.
Nem o Cadillac branco associado ao homicídio nem a arma utilizada nos disparos foram encontrados.
Apesar dos argumentos apresentados pela defesa, o júri acabou por aceitar a tese da acusação e considerou Duane Davis culpado.
Quando será conhecida a pena?
O processo ainda não terminou. A sentença de Duane Davis deverá ser conhecida no próximo dia 13 de outubro.
O antigo membro dos Crips enfrenta uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Depois de ouvir o veredicto, Davis dirigiu-se à juíza Carli Kierny e anunciou que pretende recorrer da decisão.
Três décadas depois da noite em que Tupac Shakur foi baleado em Las Vegas, o caso chega assim a um momento histórico: pela primeira vez, um homem foi considerado culpado pelo homicídio do rapper.
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