Um túnel subterrâneo utilizado para tráfico de droga ligava a cidade espanhola de Ceuta a Marrocos, permitindo a entrada de grandes quantidades de haxixe em território europeu. A infraestrutura até agora desconhecida de todas as pessoas, foi descoberta no âmbito de uma investigação policial que levou ao desmantelamento de uma rede criminosa internacional.
De acordo com o canal de notícias Euronews, a operação culminou com dezenas de detenções e a apreensão de toneladas de droga, revelando a existência de um sistema logístico altamente estruturado e preparado para operar de forma discreta.
Uma operação de grande escala
A ação policial mobilizou mais de 250 agentes, distribuídos por várias regiões, incluindo Andaluzia, Galiza e Ceuta. O objetivo foi desmantelar uma organização descrita pelas autoridades como uma das mais relevantes dos últimos anos. Segundo a mesma fonte, o balanço final da operação aponta para 27 detidos e a apreensão de mais de 17 toneladas de droga, além de dinheiro, veículos e equipamentos utilizados pela rede.
Entre os bens apreendidos encontram-se 1,43 milhões de euros em numerário, 66 equipamentos de comunicação e 15 veículos de luxo. Estes elementos ajudam a traçar o alcance financeiro e logístico da organização. A Euronews refere ainda que, ao longo da investigação, foram intercetados vários carregamentos, incluindo um total de 15 toneladas de haxixe apreendidas numa operação realizada em Almería.
Papel do túnel na operação
O túnel descoberto desempenhava um papel central na atividade da rede, funcionando como um corredor subterrâneo entre Ceuta e território marroquino. Segundo a mesma fonte, tratava-se de uma “complexa infraestrutura subterrânea destinada a introduzir toneladas de estupefacientes” em Espanha, construída de forma a evitar a deteção pelas autoridades.
A passagem subterrânea apresentava uma configuração técnica elaborada, com vários níveis e sistemas de transporte adaptados à movimentação de grandes quantidades de droga. Conforme a mesma fonte, o túnel tinha uma conceção “labiríntica”, incluindo um poço de acesso, uma zona intermédia de armazenamento e uma ligação final ao exterior, equipada com carris e vagões.
Equipamentos para evitar suspeitas
Para garantir o funcionamento contínuo, a rede instalou diversos sistemas de apoio no interior da estrutura. Entre eles estavam mecanismos de drenagem e soluções para reduzir o ruído. O canal de notícias explica que foram utilizadas bombas de esgoto e um sistema de insonorização, permitindo operar “sem contacto visual direto entre os participantes no esconderijo”.
A investigação permitiu identificar os responsáveis pela estrutura, com funções distribuídas entre diferentes territórios. Um dos líderes operava a partir de Marrocos. Segundo a mesma fonte, este elemento era conhecido como “narco-arquiteto” e “mestre dos túneis”, estando alegadamente ligado a outras infraestruturas semelhantes utilizadas em operações anteriores.
Coordenação a partir de Ceuta
Outro responsável coordenava as operações a partir de Ceuta, onde eram tratados os carregamentos e organizadas as transações associadas ao tráfico. Este indivíduo era responsável pela gestão direta da droga apreendida, assumindo um papel central na ligação entre os diferentes elementos da rede.
Para além do túnel, a organização utilizava outros métodos de transporte para garantir a circulação da droga entre diferentes pontos. Segundo a mesma fonte, foram identificadas rotas marítimas com recurso a embarcações rápidas ao longo da costa andaluza e do rio Guadalquivir, bem como ligações até à Galiza através de barcos de pesca.
Investigação prolongada
O caso começou a ser investigado em fevereiro de 2025, tendo permitido às autoridades reunir provas ao longo de vários meses sobre a atividade da rede. Conforme a mesma fonte, durante esse período foram documentadas várias operações e apreensões, incluindo centenas de quilos de haxixe em diferentes locais de Ceuta.
A identificação do túnel revelou-se determinante para compreender a dimensão da operação e os métodos utilizados pela organização. De salientar que a estrutura estava escondida sob um edifício industrial e camuflada atrás de um frigorífico insonorizado, dificultando a sua deteção.
















