Há uma cidade na América do Sul envolta numa ideia que intriga climatologistas e leitores há décadas: a de que praticamente não chove há centenas de anos. Esta noção, repetida em reportagens, livros e curiosidades geográficas, transformou-se numa espécie de lenda moderna associada a um dos climas urbanos mais peculiares, sendo a mesma capital considerada a mais seca do mundo.
Essa cidade é Lima, no Peru, frequentemente apontada como o único grande centro urbano do mundo onde a chuva é um fenómeno raríssimo. A ideia de que não chove há cerca de 600 anos não é totalmente correta, mas ajuda a ilustrar um facto incontestável: a precipitação é tão escassa que passa despercebida ao longo de gerações, de acordo com o blog especializado em lifestyle e curiosidades Fatos Desconhecidos.
Uma cidade construída em pleno deserto
Lima está localizada numa estreita faixa costeira entre o oceano Pacífico e a cordilheira dos Andes, numa região classificada como deserto costeiro. Apesar de ter sido fundada junto a rios e de concentrar hoje mais de 10 milhões de habitantes, a cidade desenvolveu-se num território naturalmente árido.
Os rios Rimac, Chillón e Lurín garantem água à cidade, mas dependem quase exclusivamente das chuvas que caem nas zonas montanhosas do interior do país, longe da capital.
Influência decisiva do oceano e dos Andes
Um dos principais fatores que explica a quase ausência de chuva é a corrente fria de Humboldt, que percorre a costa peruana. Esta corrente arrefece o ar junto ao mar, reduzindo a evaporação e dificultando a formação de nuvens capazes de provocar precipitação.
Ao mesmo tempo, a cordilheira dos Andes atua como uma barreira natural, impedindo que a humidade proveniente da Amazónia chegue à costa. O resultado é um clima seco, mas paradoxalmente húmido, de acordo com a mesma fonte.
Humidade sem chuva
Lima é conhecida pela sua humidade elevada, especialmente durante o inverno. Nessa altura, é frequente a cidade ficar coberta por um nevoeiro baixo e persistente, conhecido localmente como “garúa”.
Esta garúa não é considerada chuva, uma vez que não resulta de nuvens de precipitação. Trata-se antes da condensação da humidade no ar, que molha ligeiramente o solo, os carros e os edifícios, sem chegar a acumular água.
Mito dos 600 anos sem chuva
Do ponto de vista científico, não é correto afirmar que Lima não vê chuva há seis séculos. Existem registos de chuviscos ocasionais e, em anos excecionais, de precipitação ligeira, normalmente associada a fenómenos climáticos como o El Niño.
Ainda assim, os valores médios anuais são tão baixos que, em muitos anos, a precipitação registada é de apenas alguns milímetros ou simplesmente inexistente.
A capital mais seca do mundo
Lima é frequentemente classificada como a capital mais seca do planeta, tendo em conta a sua dimensão populacional, refere a mesma fonte.. Outras cidades podem ser mais áridas, mas não combinam clima desértico com uma população tão elevada. Esta realidade obriga a uma gestão rigorosa da água e torna a cidade particularmente vulnerável a alterações climáticas e a períodos de escassez prolongada.
Uma lenda com base real
A ideia de que não chove há 600 anos sobrevive porque simplifica uma realidade climática extrema. Não é literal, mas traduz bem a exceção que Lima representa no contexto mundial.
Mais do que um erro histórico, trata-se de uma forma exagerada, mas eficaz, de explicar porque é que a chuva, em Lima, continua a ser um acontecimento tão raro que quase parece nunca acontecer, de acordo com o Fatos Desconhecidos.
















