Quando se fala na montanha mais alta do mundo, a resposta parece óbvia para a maioria das pessoas, mas a realidade é bem mais complexa. Tudo depende da forma como se mede uma montanha, do ponto de partida escolhido e do critério usado para definir o que é, afinal, “a mais alta”. É neste detalhe técnico que nasce uma das maiores surpresas da geografia mundial.
A montanha mais alta do mundo, quando medida da base até ao topo, é o vulcão Mauna Kea, localizado no arquipélago do Havai, nos Estados Unidos.
Apesar de não ser a mais alta acima do nível do mar, é a que apresenta maior dimensão vertical total, superando todas as outras, de acordo com a enciclopédia de conhecimento Britannica.
Uma montanha escondida debaixo do oceano
O Mauna Kea é um vulcão adormecido cuja base se encontra no fundo do oceano Pacífico. Desde esse ponto até ao cume, a montanha mede cerca de 10.210 metros, o que a torna mais alta do que o Monte Evereste quando se considera a sua estrutura completa.
Apenas cerca de 4.207 metros do Mauna Kea estão acima do nível do mar. O restante encontra-se submerso, o que faz com que, à vista desarmada, possa não parecer tão impressionante como outras montanhas famosas.
Razão pela qual o Mauna Kea é considerado o mais alto
O critério base ao topo é amplamente utilizado em geologia para avaliar a verdadeira dimensão de uma montanha. Neste contexto, mede-se a elevação total desde a base natural até ao ponto mais alto. Seguindo esta lógica, o Mauna Kea ultrapassa claramente o Evereste, cuja base se encontra já a grande altitude no planalto tibetano, reduzindo a sua altura estrutural total.
O Monte Evereste é a montanha mais alta acima do nível do mar, com 8.848,86 metros, e mantém esse recorde de forma inequívoca, de acordo com a mesma fonte. No entanto, a sua base não se encontra ao nível do mar, mas sim a vários milhares de metros de altitude.
Quando medido desde a base até ao topo, o Evereste fica abaixo do Mauna Kea, o que explica porque não é considerado a maior montanha do planeta sob este critério específico.
E o caso do Chimborazo
O Monte Chimborazo, no Equador, surge frequentemente nestas comparações por ser o ponto da superfície terrestre mais afastado do centro da Terra. Isto deve-se ao facto de o planeta não ser uma esfera perfeita, apresentando um ligeiro abaulamento na linha do equador.
Apesar dessa particularidade, o Chimborazo não é a montanha mais alta do mundo nem a maior em termos de dimensão total. A sua fama resulta exclusivamente da forma como a Terra é medida, e não da sua altura estrutural, refere a fonte anteriormente citada.
Um gigante também conhecido pela ciência
Para além da sua dimensão impressionante, o Mauna Kea é conhecido por albergar alguns dos observatórios astronómicos mais importantes do mundo. A altitude elevada, o ar seco e a estabilidade atmosférica tornam o local ideal para a observação do espaço.
Esta combinação de importância científica e dimensão geológica reforça o estatuto único da montanha no contexto mundial.
Uma questão de critérios, não de erros
A confusão entre Mauna Kea, Evereste e Chimborazo não resulta de informação errada, mas sim de critérios diferentes. Cada montanha detém um recorde específico, válido dentro do seu próprio enquadramento científico, de acordo com a Britannica.
No entanto, quando o critério é claro e objetivo, a montanha mais alta do planeta, medida da base ao topo, é o Mauna Kea, um gigante que começa no fundo do oceano e termina bem acima das nuvens.
















