A administração norte-americana prepara-se para lançar novas iniciativas ligadas ao autismo, incluindo avisos sobre um dos fármacos mais consumidos no planeta: o paracetamol. Conhecido comercialmente como Tylenol, o medicamento está no centro de uma polémica depois de Donald Trump ter defendido publicamente que pode ser perigoso durante a gravidez.
De acordo com o jornal El Confidencial, a Casa Branca pretende recomendar que mulheres grávidas evitem tomar paracetamol nos primeiros meses de gestação, salvo em casos de febre. A medida baseia-se em estudos recentes de equipas do Mount Sinai e de Harvard que sugerem uma possível relação entre a toma do fármaco no início da gravidez e um aumento do risco de autismo nos filhos.
Aposta em novos tratamentos
Segundo a mesma fonte, além deste alerta, a administração Trump quer promover o uso da leucovorina, um medicamento habitualmente utilizado para compensar défices de vitamina B9 e reduzir efeitos secundários de outros tratamentos. Ensaios clínicos preliminares apontam para melhorias na comunicação de crianças com autismo.
Escreve o jornal que a Food and Drug Administration (FDA) está a avaliar como poderá regular este novo uso, enquanto os Institutos Nacionais de Saúde vão lançar uma iniciativa de ciência de dados sobre o autismo, envolvendo 13 equipas de investigação.
Uma prioridade para Trump
Acrescenta a publicação que Donald Trump tem colocado o tema do autismo como prioridade pessoal e já prometeu um dos “anúncios médicos mais importantes” da história do país. Entre os responsáveis pelo plano estão nomes, como Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de Saúde; e Jay Bhattacharya, diretor dos NIH.
Refere a mesma fonte que a presença de figuras conhecidas por posições controversas, como Kennedy Jr. e David Geier, tem gerado apreensão entre investigadores, sobretudo pelo histórico de defesa de teorias que ligam vacinas ao autismo, hipótese amplamente desacreditada pela comunidade científica.
Os especialistas respondem
Explica o jornal que vários investigadores rejeitam a associação entre paracetamol e autismo. Monique Botha, professora na Universidade de Durham, recorda um estudo sueco que analisou 2,4 milhões de nascimentos entre 1995 e 2019, concluindo não existir qualquer relação causal entre o uso do fármaco durante a gravidez e o desenvolvimento posterior de autismo, défice de atenção ou deficiência intelectual.
A investigadora alerta ainda para os riscos de se desencorajar o uso do paracetamol, lembrando que é uma das poucas opções seguras de controlo da dor durante a gravidez. Botha sublinha que alimentar receios injustificados pode estigmatizar famílias com filhos autistas e reavivar velhos padrões de culpa materna.
O especialista Dimitrios Siassakos, professor de Obstetrícia e Ginecologia no University College London, partilha da mesma posição. Em declarações à agência SMC, citadas pelo El Confidencial, afirmou que o autismo resulta de fatores diversos, incluindo predisposição genética e complicações no parto.
Segundo o mesmo especialista, aparentes aumentos de risco associados ao paracetamol desaparecem quando se consideram variáveis como o historial familiar. O académico reforça que insistir nesta ligação pode levar grávidas a prescindir de um medicamento seguro em situações em que é necessário.
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