A União Europeia vai apertar as regras de entrada no espaço Schengen, numa decisão que afeta diretamente os cidadãos russos. De acordo com o jornal POLITICO, especializado em política e assuntos europeus, Bruxelas pretende pôr fim à emissão generalizada de vistos de múltiplas entradas, restringindo-os a casos excecionais, como motivos humanitários ou situações de dupla nacionalidade.
As novas medidas, que deverão ser formalmente adotadas ainda esta semana, representam mais um passo na estratégia europeia de sanções contra Moscovo pela invasão da Ucrânia.
Segundo a mesma fonte, o objetivo é reduzir o número de cidadãos russos que circulam no bloco europeu e limitar as autorizações de viagem a casos devidamente justificados.
O que muda para os cidadãos russos
De acordo com o POLITICO, a regra base passará a ser o visto de entrada única, enquanto os vistos de múltiplas entradas se tornarão excecionais. Bruxelas quer também uniformizar critérios entre Estados-membros, uma vez que a emissão de vistos é competência nacional e, até agora, alguns países mantiveram práticas mais permissivas.
Em 2024, mais de meio milhão de russos obtiveram vistos Schengen, um número muito inferior aos mais de quatro milhões registados antes da guerra, em 2019. Países como a Hungria, França, Espanha e Itália continuam, no entanto, a emitir autorizações com relativa facilidade, sobretudo para turismo.
Segundo a publicação, o novo pacote de medidas visa travar essa tendência, harmonizando as decisões consulares e reforçando a segurança no espaço europeu. A decisão é descrita em Bruxelas como “necessária” para conter os riscos de espionagem, infiltração ou apoio a atividades de informação hostis.
Mais controlo também para diplomatas
As mudanças incluem ainda restrições à circulação de diplomatas russos. A partir da entrada em vigor, os representantes oficiais de Moscovo terão de notificar com antecedência os Estados-membros sempre que viajem dentro da área Schengen.
Segundo o POLITICO, esta exigência surge no âmbito do 19.º pacote de sanções da União Europeia, que se concentra especialmente em atividades consideradas ameaças à segurança europeia.
Além disso, Bruxelas prepara uma nova estratégia comum de vistos, a apresentar nas próximas semanas, que definirá critérios mais rigorosos para países considerados hostis.
A intenção é que a política de vistos passe a ser usada como instrumento de política externa e de pressão diplomática, tal como acontece com as sanções económicas.
Quando entra em vigor
A adoção formal das novas regras está prevista para esta semana, com implementação progressiva nos consulados dos Estados-membros até ao início de 2026. Cada país aplicará as diretrizes de forma coordenada, mas com autonomia administrativa, o que significa que a aplicação prática poderá variar ligeiramente entre capitais europeias.
No entanto, o princípio é claro: os cidadãos russos deixarão de poder obter vistos de múltiplas entradas, salvo exceções devidamente justificadas. Na prática, a decisão reduz significativamente a mobilidade de cidadãos da Federação Russa no espaço Schengen e reforça o isolamento diplomático e económico do regime de Moscovo.
De acordo com o POLITICO, esta mudança marca um novo capítulo na política europeia de vistos, consolidando a estratégia de contenção e segurança que a União Europeia tem vindo a adotar desde 2022.
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