Num apagão, num ataque cibernético ou até num cenário de guerra, os pagamentos digitais podem falhar de um momento para o outro. E quando isso acontece, o acesso a dinheiro vivo pode ser a diferença entre garantir bens essenciais ou ficar sem alternativas. O Banco Central Europeu (BCE) recomenda que cada cidadão mantenha em casa uma reserva mínima em numerário para sobreviver pelo menos 72 horas.
De acordo com o Leggo, jornal diário italiano, a orientação surge num artigo do boletim económico da BCE intitulado “Keep Calm and Carry Cash”. O texto sublinha que as notas continuam a ser “um componente essencial da preparação nacional para crises”, funcionando como um instrumento de resiliência não só para cada indivíduo, mas também para a estabilidade de todo o sistema económico.
Quanto dinheiro deve ter em casa
Segundo a mesma fonte, alguns países como a Holanda, a Áustria e a Finlândia já avançaram com recomendações específicas: entre 70 e 100 euros por pessoa, em notas, para cobrir despesas imediatas durante três dias. A lógica é simples: este valor deve bastar para garantir comida, água, medicamentos ou outros bens básicos até que a normalidade seja restabelecida.
O valor foi agora atualizado
O POSTAL já tinha noticiado anteriormente este tema, quando a recomendação da BCE apontava para reservas mais baixas: cerca de 70 euros por adulto e 30 euros por criança. Agora, a instituição reforçou a importância do numerário e aumentou o valor sugerido, defendendo que a nova fasquia garante uma margem de segurança maior face à instabilidade geopolítica e aos riscos acrescidos de falhas digitais.
Este ajustamento mostra que a preocupação com cenários de crise não é apenas teórica, mas acompanha a evolução das ameaças recentes.
A BCE reforça que a utilidade do dinheiro físico aumenta sempre que a estabilidade é posta em causa. “Independentemente da natureza da crise ou do nível de digitalização de um país, o dinheiro vivo mantém-se como uma rede de segurança”, lê-se no documento citado.
Lições das crises recentes
Escreve o Leggo que a pandemia revelou um fenómeno de acumulação de liquidez, à medida que muitas famílias passaram a guardar mais dinheiro em casa por precaução, face a meses de incerteza.
Outro exemplo surgiu com a invasão da Ucrânia pela Rússia, que levou a uma procura imediata e localizada de numerário nas zonas próximas do conflito. Segundo a mesma fonte, esse aumento ocorreu independentemente da modernização digital das economias envolvidas.
O apagão ibérico, em que falhas tecnológicas afetaram sistemas de pagamento, mostrou também a relevância das notas em circulação. Nessas circunstâncias, explica o Leggo, o dinheiro físico serviu não apenas como meio de troca, mas como instrumento de confiança pública, alargando o seu efeito até a regiões que não foram diretamente afetadas.
Preparar o inesperado
A mensagem central da BCE é clara: a digitalização não elimina a importância do dinheiro físico. Ter uma reserva em casa pode garantir acesso imediato a bens essenciais quando os sistemas digitais colapsam.
Assim, a recomendação oficial é inequívoca: manter entre 70 e 100 euros por pessoa em dinheiro vivo, guardados em segurança, pode ser decisivo para atravessar as primeiras 72 horas de qualquer emergência, seja um apagão, uma guerra ou uma catástrofe natural.
















