Quando a vida profissional e pessoal se cruzam, sobretudo num contexto familiar, o resultado pode originar situações inesperadas e dolorosas. Foi o que aconteceu a Tamara August, residente em Barakaldo, Espanha, que ao consultar a transferência do seu salário reparou que, no campo destinado ao beneficiário, estava escrita a palavra “zumbada”, que significa “louca” em português. Para si, o episódio foi profundamente humilhante e injusto, ao ponto de decidir apresentar queixa em tribunal.
O seu chefe era o seu ex-marido
A empresa onde Tamara trabalhava é co-gerida pelo seu ex-marido e por um sócio. Após a divulgação do caso, este último assumiu ter sido o autor da transferência com o termo ofensivo, o que, segundo Tamara, permitiu ao ex-marido “lavar as mãos” e afastar-se das consequências, de acordo com o portal de notícias espanhol Noticias Trabajo.
Para a trabalhadora, esta explicação não apaga a gravidade do sucedido nem a responsabilidade que considera ser partilhada por ambos os gestores.
Situação pessoal exigente
Tamara vive atualmente uma situação pessoal exigente. Tem uma redução de 99% da sua jornada laboral graças à prestação CUME, um apoio da Segurança Social espanhola concedido a pais que cuidam de filhos com doença grave ou deficiência.
No seu caso, dedica-se a tempo inteiro ao filho, totalmente dependente para as tarefas diárias. Recorda ainda que, antes do incidente, solicitou teletrabalho para conseguir conciliar a vida profissional com os cuidados ao filho, mas o pedido foi recusado pela empresa.
Em declarações no programa televisivo Y ahora Sonsoles, citado pela mesma fonte, Tamara relatou que o ex-marido chegou a afirmar não conhecer o problema de saúde do filho e apenas lhe desejou “rápidas melhoras”, algo que interpreta como falta de sensibilidade. Sublinha também que, para si, este tipo de comportamento ultrapassa qualquer divergência pessoal, pois atinge diretamente a dignidade do trabalhador.
Tribunal rejeita queixa
A sua queixa foi, no entanto, rejeitada pelo tribunal do trabalho. A sentença considerou que se tratou de um “mau-trato esporádico”, não havendo indícios de assédio continuado. Para Tamara, esta decisão envia uma mensagem perigosa: de que qualquer empregador pode introduzir palavras ofensivas num documento salarial sem sofrer consequências.
Afirma ainda, segundo o Noticias Trabajo, sentir-se desprotegida e injustiçada, lamentando que a responsabilidade não tenha recaído sobre quem a insultou. Para si, nenhum trabalhador deveria ser alvo de ofensas no momento de receber o seu ordenado.
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