Vários condutores em Espanha sentem-se surpreendidos e revoltados com novas medidas que limitam o acesso às cidades. Para muitos, trata-se de uma decisão inesperada que está a afetar quem adquiriu carros modernos nos últimos anos, acreditando que estariam salvaguardados por mais tempo.
Segundo o Euro Weekly News, Jorge López, residente em Madrid, adquiriu em 2017 um automóvel Diesel moderno, convencido de que cumpria todos os requisitos ambientais para circular sem restrições. Hoje, perante as novas regras, afirma: “Sinto-me enganado”. Acrescenta ainda que “me tratam como se estivesse a conduzir um carro velho com mais de 20 anos”.
Cidades com novas restrições
Bilbau foi uma das primeiras cidades a aplicar medidas mais severas, proibindo a entrada de veículos com selo B nas suas Zonas de Baixas Emissões (ZBE). Estes veículos incluem carros a gasolina matriculados entre 2001 e 2005 e Diesel entre 2006 e agosto de 2015.
Ainda segundo a mesma fonte, outras cidades estão a seguir o mesmo caminho, com regras já definidas para os próximos anos.
Na Catalunha, as restrições vão ser particularmente apertadas: a partir de janeiro de 2026, os veículos com selo B só poderão circular em dias sem alerta de poluição. Em 2028, a circulação será totalmente proibida em todas as ZBE da região, de forma permanente.
Milhões de condutores afetados
Segundo a mesma fonte, mais de 9 milhões de automóveis com motor Diesel poderão ser afetados por estas medidas, representando cerca de 31,5% da frota automóvel em Espanha. Se forem incluídos também os automóveis a gasolina, o número poderá ultrapassar facilmente os 10 milhões.
As medidas aplicam-se a mais de 160 Zonas de Baixas Emissões em todo o país, destinadas a reduzir a poluição nos centros urbanos. Nestes locais, só é permitida a entrada a veículos que cumpram os critérios ambientais estipulados.
Como funciona o sistema de selos em Espanha
Em Espanha, os veículos são classificados com selos ambientais atribuídos pela Direção Geral de Tráfego. De acordo com a mesma fonte, os selos são os seguintes:
Zero: elétricos, híbridos plug-in com mais de 40 km de autonomia elétrica ou com célula de combustível;
Eco: híbridos plug-in com menos de 40 km de autonomia elétrica, híbridos convencionais e veículos a GPL;
C: gasolina matriculados a partir de 2006 e Diesel desde setembro de 2015;
B: gasolina entre 2001 e 2005 e Diesel entre 2006 e agosto de 2015.
Veículos sem qualquer selo ambiental não podem circular nas ZBE, segundo indicou a mesma fonte.
Calendário de aplicação das restrições
Além de Bilbau, Málaga e Palma de Maiorca vão aplicar restrições a veículos com selo B a partir de janeiro de 2027. Em Reus, na província de Tarragona, a proibição será total a partir de 1 de janeiro de 2028, com exceção para residentes. Santander, na Cantábria, aplicará a medida a partir de 31 de dezembro de 2030.
Estas decisões inserem-se no plano ambiental nacional de Espanha, alinhado com os objetivos da União Europeia, que pretende terminar a venda de veículos com motores de combustão até 2035.
Em declarações recolhidas pelo Euro Weekly News, vários condutores afirmam que estas medidas os apanhou de surpresa, especialmente os que adquiriram carros recentes e com classificações ambientais que, até agora, permitiam a circulação sem restrições.
E em Portugal?
Apenas Lisboa conta atualmente com Zonas de Emissões Reduzidas (ZER), implementadas desde 2011.
Apesar de não existir um sistema de selos ambientais como em Espanha, a circulação está limitada a veículos equipados com sistemas de controlo de emissões aprovados pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), com a documentação respetiva.
As restrições nas ZER em Lisboa são menos abrangentes, mas seguem princípios semelhantes ao modelo espanhol, nomeadamente a limitação da circulação de veículos mais antigos em determinadas zonas da cidade.
Segundo o Euro Weekly News, o impacto das novas regras em Espanha deverá intensificar-se nos próximos anos, com mais municípios a implementar proibições em fases, atingindo um número cada vez maior de condutores.
Vários cidadãos continuam a expressar o seu descontentamento, como Jorge López, que considerava ter feito uma escolha consciente ao comprar um Diesel em 2017, mas que hoje se vê obrigado a antecipar a mudança de veículo, devido a novas regras que, segundo a mesma fonte, muitos consideram injustas.
A aplicação destas medidas levanta dúvidas sobre o futuro da mobilidade urbana na Península Ibérica, especialmente para quem ainda depende de carros com motor de combustão, mesmo que recentes.
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