Um reformado de 77 anos com uma pensão de 850 euros investiu 50 mil euros numa escavadora e agora fatura 3.500 euros ao mês para fugir à pobreza. O cenário dramático de contas por pagar e de uma vida no limite financeiro obrigou o septuagenário a tomar uma decisão completamente inesperada para a sua idade.
A história de resiliência tem como protagonista um antigo eletricista chamado Ángel que viu a sua vida desmoronar devido a crises económicas sucessivas. O caso impressionante é revelado pelo Noticias Trabajo, uma secção do portal digital Huffington Post dedicada à atualidade da área laboral e económica de Espanha. O homem decidiu contrair uma dívida avultada para comprar maquinaria pesada de construção e tentar gerar rendimento suficiente para conseguir pagar a renda da sua casa.
O peso das despesas e o colapso do orçamento
O trajeto profissional deste trabalhador sofreu um revés irrecuperável durante a grave crise que atingiu a economia mundial no ano de 2008. O colapso financeiro destruiu a empresa onde laborava e empurrou-o para uma pré-reforma precoce com um rendimento mensal de sobrevivência muito reduzido. O montante recebido esgotava-se rapidamente com o pagamento do aluguer habitacional de oitocentos e quarenta euros e com as despesas básicas de água e eletricidade.
Indica a mesma fonte que a idade avançada do protagonista se tornou um obstáculo inultrapassável na procura de novas oportunidades no mercado de trabalho tradicional. Sem alternativas viáveis para conseguir sustentar o seu agregado familiar, a aquisição do veículo pesado de movimentação de terras surgiu como um ato de puro desespero. O mais surpreendente neste investimento avultado é que o idoso adquiriu o equipamento sem sequer saber operar os seus complexos comandos mecânicos.
A aprendizagem solitária nos comandos da máquina
A falta de formação técnica prévia não travou a vontade inabalável de inverter a frágil situação económica em que se encontrava submerso. O homem baseou-se apenas nas memórias da sua infância no meio rural para subir para a cabine e começar a manobrar a pesada estrutura de forma autónoma. Quatro anos após esta aposta altamente arriscada, a faturação mensal resultante do seu esforço diário estabilizou na casa dos milhares de euros regulares.
Explica a referida fonte que este valor de faturação não representa um lucro direto e limpo para a conta bancária pessoal do septuagenário. Uma grande fatia deste dinheiro serve para pagar a prestação mensal do crédito da própria máquina que ainda se encontra numa fase de amortização ativa. A estes pesados custos somam-se as despesas diárias obrigatórias com combustível, seguros de responsabilidade civil, impostos estatais e manutenção mecânica do equipamento.
O corte no apoio social e o envelhecimento ativo
A legislação laboral do país vizinho autoriza a acumulação de rendimentos de trabalho com o recebimento da reforma através de um regime de velhice ativa. Contudo, esta modalidade impõe penalizações financeiras automáticas a quem decide manter uma atividade profissional aberta e declarada por conta própria. O protagonista sofreu um corte exato de metade do valor da sua pensão original devido à aplicação estrita desta regra legal imposta pelo governo espanhol.
O Estado paga atualmente cerca de quatrocentos e cinquenta euros mensais de apoio social a este incansável trabalhador do setor da construção civil. A percentagem da pensão atribuída pelas autoridades vai escalando de forma gradual consoante o número de anos em que o cidadão prolonga a sua atividade comercial. O atual sistema governamental foi desenhado precisamente com o propósito de incentivar o adiamento da saída definitiva do mercado de trabalho por parte da população mais envelhecida.















