Num contexto internacional marcado por incerteza geopolítica, volatilidade financeira e procura renovada por ativos de refúgio, o ouro voltou a ganhar peso nas estratégias dos bancos centrais. A Polónia é hoje um dos exemplos mais evidentes dessa tendência, numa altura em que reforça de forma acelerada o metal precioso nas suas reservas oficiais.
A mais recente atualização oficial disponível mostra que o Narodowy Bank Polski, o banco central polaco, detinha no final de janeiro 550,2 toneladas de ouro, avaliadas em 313,7 mil milhões de zlotys, mais de 64 mil milhões de euros. Segundo o próprio banco, esse montante representava já 30,2% das reservas oficiais do país.
Meta são as 700 toneladas
A aposta da Polónia no ouro não ficou, porém, pelas 550 toneladas. A 20 de janeiro deste ano, Adam Glapiński, governador do banco central polaco, anunciou numa nota oficial que o Narodowy Bank Polski decidiu aumentar ainda mais as reservas, fixando como novo objetivo as 700 toneladas. Na mesma comunicação, o responsável afirmou que esse nível colocaria a Polónia na “elite” dos dez países com maiores reservas de ouro no mundo.
O reforço tem sido rápido. Nas contas oficiais de 2024, o banco central polaco indica que comprou 89,5 toneladas de ouro nesse ano. Já no relatório anual de 2023, o NBP dizia querer que o metal precioso passasse a representar 20% das reservas oficiais, o equivalente a quase 600 toneladas.
A evolução entretanto conhecida mostra que a instituição foi além dessa fasquia em termos percentuais, ajudada pelas compras e pela valorização do ouro.
Polónia já supera o Banco Central Europeu (BCE) em ouro
A dimensão atingida pelas reservas polacas torna-se mais clara quando comparada com a do BCE. Nas contas anuais de 2025, o BCE informa que detinha 506,5 toneladas de ouro, o mesmo valor de 2024. Isto significa que, com base nos dados oficiais mais recentes disponíveis, a Polónia já tem mais ouro do que este último, de acordo com a Euronews.
A justificação do banco central polaco tem sido consistente. Em declarações divulgadas pelo próprio NBP, responsáveis da instituição defendem que o ouro ajuda a diversificar o risco das restantes aplicações e pode reforçar a rentabilidade da carteira de reservas em períodos de maior instabilidade.
Ao mesmo tempo, o banco central diz que a gestão das reservas continua a dar prioridade à segurança e à liquidez.
Tendência vai muito além da Polónia
O caso polaco não surge isolado. Num relatório publicado em junho de 2025, o BCE assinalou que os bancos centrais compraram mais de mil toneladas de ouro em 2024, o dobro da média anual da década anterior.
A mesma análise refere que as reservas mundiais de ouro dos bancos centrais chegaram às 36 mil toneladas e que, a preços de mercado, o ouro passou a representar 20% das reservas globais, acima da quota do euro, situada em 16%.
É neste enquadramento que a estratégia da Polónia ganha significado. Varsóvia não está apenas a aumentar uma posição financeira. Está também a alinhar-se com uma tendência internacional em que o ouro recupera centralidade como ativo de reserva num mundo mais fragmentado e mais exposto a choques externos.
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