Com a chegada do verão, aumentam as idas à praia e também a probabilidade de encontrar organismos gelatinosos junto à costa. Em Portugal, as alforrecas, águas-vivas e caravelas-portuguesas podem surgir no mar ou no areal, e saber como agir nos primeiros minutos pode evitar dor, irritação e complicações.
A época balnear marca o regresso de muitos portugueses às praias, mas a segurança não passa apenas pelo sol, pelo mar ou pelas correntes. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) recomenda que os banhistas sigam as indicações dos nadadores-salvadores e frequentem zonas com controlo da qualidade da água, sobretudo nos períodos de maior afluência.
Alforrecas podem aparecer no mar ou no areal
As alforrecas fazem parte dos chamados organismos gelatinosos e algumas espécies têm células urticantes, sobretudo nos tentáculos, capazes de injetar veneno quando entram em contacto com a pele. Segundo o programa GelAvista, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a maioria dos contactos é acidental e acontece na praia, durante o banho ou quando estes organismos dão à costa.
Mesmo quando parecem mortas ou estão fora de água, algumas alforrecas podem manter células urticantes ativas. Por isso, se vir uma alforreca no areal ou na rebentação, não lhe toque, evite aproximar-se dos tentáculos e avise o nadador-salvador ou as autoridades presentes na praia.
Como agir nos primeiros minutos após a picada
Se for picado por uma alforreca, o primeiro passo é sair da água com calma, evitando o pânico, para reduzir o risco de afogamento ou de novo contacto. Depois, deve lavar a zona afetada com água do mar, sem esfregar, para ajudar a remover vestígios sem espalhar o veneno.
Caso existam restos de tentáculos agarrados à pele, devem ser retirados com cuidado, usando uma pinça, luvas ou outro meio que evite o contacto direto com as mãos. O GelAvista recomenda que a zona seja limpa com água do mar e que os vestígios sejam removidos com uma pinça, sem friccionar a pele.
Gelo pode ajudar na picada de alforreca, mas com cuidado
No caso de contacto com uma medusa ou água-viva, depois de lavar e limpar a zona com água do mar, a mesma fonte recomenda a aplicação de compressas de gelo durante cerca de 15 minutos. O SNS 24 também indica a aplicação de frio ou gelo, sempre com cuidado para não provocar queimadura pelo frio diretamente na pele.
Se a dor persistir, se a zona ficar muito inchada ou se a pessoa apresentar falta de ar, mal-estar intenso, tonturas ou sinais de reação alérgica, deve ser pedida ajuda médica. O GelAvista aconselha a consultar um médico ou farmacêutico quando a dor não melhora, e o SNS 24 recomenda contactar o Centro de Informação Antivenenos em situações de intoxicação ou dúvida.
Atenção à caravela-portuguesa
Nem todos os organismos gelatinosos são iguais. A caravela-portuguesa, que ocorre ao longo da costa portuguesa, incluindo Açores e Madeira, é descrita pela fonte anterior como a espécie mais perigosa das que ocorrem em Portugal, podendo ter tentáculos que atingem até 30 metros.
No caso da caravela-portuguesa, as recomendações diferem das aplicadas a muitas alforrecas. Depois de limpar a zona com água do mar, é indicada a aplicação de compressas quentes a cerca de 40 graus durante cerca de 20 minutos ou vinagre sem diluir, sendo esta a exceção importante à regra geral sobre o vinagre.
Mitos sobre a picada de alforreca que podem piorar a situação
Um dos erros mais comuns é lavar a picada com água doce, como a água dos chuveiros da praia. Tanto o SNS 24 como o GelAvista alertam que a zona deve ser lavada com água do mar e que não se deve usar água doce, álcool ou amónia, porque estas práticas podem agravar a reação.
Outro mito frequente é aplicar vinagre em qualquer picada de alforreca. Em Portugal, a recomendação geral é não usar vinagre nas picadas de medusas ou águas-vivas, exceto quando o contacto é com caravela-portuguesa, situação em que o procedimento recomendado é diferente.
Também não se deve esfregar a zona afetada com toalha, areia ou as mãos, nem colocar ligaduras ou pensos rápidos sobre a picada. De acordo com a mesma fonte, coçar ou friccionar pode espalhar o veneno, enquanto cobrir a zona pode dificultar a limpeza e a avaliação da reação.
A ideia de urinar sobre uma picada de alforreca continua a circular, mas deve ser encarada como um mito. O National Health Service (NHS), serviço público de saúde do Reino Unido, inclui expressamente esta prática na lista do que não deve ser feito após uma picada de alforreca ou de outros animais marinhos.
Prevenir continua a ser o melhor conselho
Antes de entrar no mar, observe a água, esteja atento a avisos no areal e siga sempre as indicações dos nadadores-salvadores. O GelAvista recomenda evitar o contacto direto com organismos gelatinosos e, se não reconhecer a espécie, a regra mais segura é simples: não toque.
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