A mobilidade urbana tem vindo a evoluir rapidamente nos últimos anos. A transição para sistemas mais automatizados e integrados insere-se numa tendência global que visa reduzir congestionamentos, melhorar a eficiência energética e aumentar a acessibilidade a transportes em áreas urbanas densas. A adoção de um serviço moderno, como veículos autónomos, é vista como um passo natural para oferecer soluções flexíveis de deslocação.
O Reino Unido prepara-se para abrir caminho a um novo serviço de transporte urbano sem condutor, com testes que arrancam já na primavera de 2026. Esta iniciativa pode antecipar um tipo de mobilidade que, num curto prazo, poderá chegar a destinos com fortes laços ao mercado britânico, incluindo Portugal.
De acordo com o jornal The Guardian, este será o primeiro piloto europeu de robotáxis de nível 4, viaturas capazes de executar tarefas de condução em determinadas condições, sem condutor a bordo. A aceleração do cronograma surge após a aprovação do Automated Vehicles Act do Reino Unido.
Veículos autónomos em áreas urbanas complexas
Segundo a mesma fonte, veículos de nível 4 operam de forma totalmente autónoma em zonas delimitadas ou sob condições específicas. A legislação britânica exige que estes veículos assegurem um nível de segurança equivalente ao de um condutor humano qualificado antes de circularem em espaço público.
A escolha de Londres para testar o sistema deve-se à complexidade do seu tráfego urbano, proporcionando um ambiente rigoroso para avaliar a fiabilidade da tecnologia.
Plataforma Uber-Wayve integrada via aplicação
Escreve a mesma fonte que os robotáxis estarão disponíveis na app da Uber, permitindo reservar viagens autonomamente. A Transport for London e o Departamento dos Transportes vão colaborar na regulamentação necessária para os testes.
A participação das entidades públicas tem como objectivo assegurar que o sistema cumpre os requisitos legais e técnicos exigidos.
Impactos económicos e criação de emprego
Refere o The Guardian que o projeto poderá criar cerca de 38 000 empregos no Reino Unido e contribuir com até 42 mil milhões de libras para a economia até 2035.
Espera‑se ainda que a introdução dos robotáxis venha a beneficiar a mobilidade em zonas rurais e a facilitar o acesso ao transporte para pessoas com mobilidade reduzida.
Expansão planeada para a Europa
Conforme acrescenta a mesma fonte, a parceria entre Uber e Wayve não se limitará ao Reino Unido. A meta é replicar o modelo noutros mercados europeus chave, incluindo Portugal, após o piloto britânico.
Este teste será utilizado como base para a futura regulamentação e expansão do serviço.
Temores e críticas em vista
Apesar das perspetivas, surgem críticas de sindicatos e motoristas de táxi. A publicação menciona que associações de taxistas consideram as expectativas exageradas, manifestando receios em relação à segurança e à potencial perda de emprego.
Especialistas citados pelo The Guardian apelam também a garantias claras sobre responsabilidade em caso de acidentes e proteção de dados pessoais.
Quadro legal e próximos passos
O Automated Vehicles Act permite ensaios desde 2024, mas o enquadramento completo para uso comercial deverá ser concluído até 2027. O início antecipado dos testes em 2026 visa permitir recolha de dados e ajustamentos regulamentares.
O sucesso deste piloto será determinante para estabelecer normas que possam ser aplicadas em outros países europeus.
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