Associações do setor da aviação alertam para um “grande risco” de perturbações nos aeroportos europeus durante os meses de verão, devido à implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES) no Espaço Schengen, admitindo filas que podem chegar a quatro horas ou mais se não houver medidas imediatas.
De acordo com o Jornal de Notícias (JN), o aviso foi feito num comunicado conjunto do Conselho Internacional de Aeroportos para a Europa (ACI Europe), da Airlines for Europe (A4E) e da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que pedem alterações urgentes na forma como o sistema está a ser colocado no terreno.
As três entidades dizem que já existem sinais de atrasos relevantes em alguns pontos de controlo e que, com o aumento típico da procura no pico do verão nos aeroportos europeus, o impacto pode agravar-se rapidamente. O receio é que o efeito se sinta sobretudo em aeroportos com grande fluxo internacional e com serviços de fronteira sob pressão.
O que está em causa com o EES nos aeroportos europeus
O EES é um sistema europeu que pretende substituir os carimbos manuais no passaporte por registos digitais de entradas e saídas, com recolha e verificação de dados biométricos e informação associada à viagem. O objetivo é reforçar o controlo das permanências de curta duração, detetar situações irregulares e apoiar decisões de entrada.
De acordo com a informação pública sobre o funcionamento do sistema, o EES aplica-se a cidadãos de países terceiros que entram no Espaço Schengen para estadias de curta duração, registando dados como a data e o local de entrada e saída, entre outros elementos previstos.
Na prática, o setor teme que o aumento do tempo por passageiro, sobretudo na fase de registo inicial, se traduza em filas prolongadas, especialmente quando coincidir com ondas de chegadas e partidas em períodos de férias.
A carta para Bruxelas e o “risco de caos”
A carta foi dirigida a Magnus Brunner, comissário europeu com a pasta dos Assuntos Internos e Migração, a quem as associações pedem decisões rápidas e maior flexibilidade operacional para evitar constrangimentos.
Segundo o setor, há preocupação com tempos de espera “excessivos” e com o facto de a implementação progressiva ainda não estar a funcionar com a fluidez necessária em todos os locais. A possibilidade de filas até quatro horas é apresentada como um cenário realista no pico do verão, caso não sejam ajustados procedimentos e recursos.
As organizações defendem que, sem soluções de contingência claras, a combinação de grande procura sazonal e processos mais longos na fronteira pode gerar efeitos em cadeia: atrasos no desembarque, congestionamento nas áreas de chegadas e impactos no cumprimento de horários.
Falta de pessoal e tecnologia ainda “por afinar”
Entre os problemas apontados está a “falta crónica de pessoal” nos serviços de controlo de fronteiras, que limita a capacidade de resposta quando o número de passageiros aumenta. O setor sublinha que, com equipas já no limite, qualquer minuto extra por passageiro pode ter consequências visíveis.
As associações referem também questões tecnológicas e de integração operacional, como a necessidade de processos mais automatizados e consistentes, para que o registo biométrico não se transforme num gargalo permanente. A mensagem é que a tecnologia, por si só, não resolve se não houver meios e procedimentos harmonizados.
A preocupação cresce porque o calendário de implementação prevê um alargamento do alcance do sistema, o que pode coincidir com o arranque da época alta. É precisamente esse “timing” que leva o setor a pedir mudanças antes do verão.
O que muda para quem vai viajar
Para os passageiros, o impacto pode traduzir-se em mais tempo nos controlos de fronteira e numa maior variabilidade dos tempos de espera, dependendo do aeroporto, da hora do dia e do volume de chegadas. O setor insiste que o risco não é teórico e que já há registos de atrasos significativos em determinados pontos.
De acordo com o JN, e enquanto se aguardam decisões e ajustamentos, a recomendação prática para quem vai viajar em época alta é planear com margem, estar atento às orientações do aeroporto e da companhia aérea e contar com possíveis demoras nos controlos, sobretudo em rotas com maior afluência de viajantes de fora da UE.
















