Quando se fala em salários elevados na Europa, muitos pensam de imediato em países como o Luxemburgo. No entanto, os dados mais recentes sobre rendimentos líquidos médios revelam algumas surpresas. Um relatório divulgado pelo Eurostat, com base em dados de 2024, permite perceber onde é que se ganha mais, quanto se ganha realmente depois de impostos e em que ponto está Portugal nesta tabela.
Os rendimentos mais elevados estão no Norte e Oeste
Em termos gerais, os países do Norte e do Oeste da Europa continuam a apresentar os rendimentos líquidos mais altos, de acordo com a Eurostat, citada pela Human Resources Portugal. Mesmo após ajustamentos ao poder de compra, a diferença entre regiões mantém-se expressiva, ainda que menos acentuada.
Na União Europeia (UE), a média dos lucros líquidos anuais para uma pessoa solteira, sem filhos e com rendimento igual a 100% do salário médio nacional, foi de 29.573 euros. Portugal surge bastante abaixo, com 16.947 euros.
A surpresa vem de fora da UE
Quando se incluem dados de países da EFTA e da Turquia, o topo da tabela muda. A Suíça lidera com rendimentos líquidos de 85.631 euros, seguida da Islândia com 57.573 euros. A Noruega também figura entre os primeiros, com 47.232 euros anuais líquidos.
Estes valores reforçam o domínio dos países fora da UE no que toca aos lucros líquidos dos cidadãos, especialmente quando comparados com os níveis médios do espaço comunitário.

Luxemburgo já não está no topo absoluto
Apesar da fama, o Luxemburgo ocupa apenas o quarto lugar, com 50.410 euros. Dentro da UE, é ainda o país com maior rendimento líquido, mas fica atrás de países não comunitários. Seguem-se os Países Baixos, com 47.892 euros, e a Irlanda, com 46.208 euros.
Outros países nórdicos como a Dinamarca, Finlândia e Suécia apresentam também valores elevados, todos eles acima dos 36 mil euros líquidos por ano, refere ainda a mesma fonte.
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Portugal e o grupo dos mais baixos
Os países do Sul e do Leste da Europa continuam a registar os rendimentos líquidos mais baixos. Em Portugal, o valor fixou-se nos 16.947 euros, próximo do nível da Grécia (18.709 euros) e abaixo de Espanha (24.571 euros) e Itália (24.797 euros).
Mais abaixo na tabela, surgem a Roménia com 12.655 euros, a Hungria com 13.883 euros e, no fundo da lista, a Bulgária, com apenas 11.074 euros. A Turquia, país candidato à UE, apresenta um rendimento líquido semelhante, com 11.440 euros.
O peso do poder de compra
Quando se ajustam os dados aos padrões de poder de compra (PPS) na Europa, a disparidade entre países diminui, mas não desaparece. Neste indicador, os rendimentos líquidos variam entre os 16.784 euros da Eslováquia e os 40.948 euros nos Países Baixos.
Mesmo com este ajustamento, Portugal continua numa posição modesta. É considerado um caso atípico: está geograficamente no Ocidente, mas economicamente mais próximo dos países de Leste, com um nível de PPS abaixo dos 20.000.
Diferença reduzida, mas ainda marcante
A diferença entre o país com maior rendimento líquido nominal (Luxemburgo) e o que apresenta o valor mais baixo (Bulgária) é superior a 4,5 vezes, refere a fonte supracitada. Ajustando ao poder de compra, essa diferença desce para cerca de 2,4 vezes, mas continua a ser relevante. Entre as quatro maiores economias da UE, apenas a Alemanha se encontra acima da média no poder de compra. França, Itália e Espanha ficam todas abaixo.
Famílias com filhos ganham mais
O relatório mostra também que os agregados familiares com filhos apresentam rendimentos líquidos mais altos do que os que não têm. Um casal com apenas um rendimento e dois filhos, por exemplo, ganha em média 35.656 euros na UE, face aos 29.573 euros de uma pessoa solteira, refere ainda a Human Resources Portugal, com base nos dados disponibilizados pela Eurostat.
Em Portugal, essa diferença também se verifica. Uma pessoa solteira sem filhos tem um rendimento líquido de 16.947 euros, enquanto um casal com dois filhos e apenas um rendimento atinge os 20.383 euros. Se ambos os membros do casal trabalharem, o valor sobe para 35.394 euros.
Na maioria dos países da UE, as famílias com crianças beneficiam de abonos e deduções fiscais, o que explica a diferença. A exceção é a Turquia, onde o rendimento líquido é praticamente igual, independentemente da constituição do agregado.
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