A vida de Fernando e Ana mudou quando decidiram deixar a casa onde viviam e passar a morar permanentemente numa autocaravana com cerca de sete metros. Segundo o casal, a mudança permitiu reduzir despesas e chegar ao fim do mês com dinheiro disponível, ao contrário do que acontecia anteriormente.
O testemunho partilhado pela revista fracesa Marie France. O casal explicou que vivia na autocaravana há cerca de três anos. A decisão juntou a vontade de reduzir encargos ao desejo de aproveitar a reforma de outra forma.
A meio do mês já esperavam pela pensão
Fernando recorda que, quando ainda viviam numa casa convencional, o orçamento ficava apertado a meio do mês. Segundo as declarações reproduzidas, pelos dias 15 ou 17 já se sentiam em dificuldades e desejavam que chegasse o dia 24 para receber a pensão: “No dia 15 ou 17 já não tínhamos dinheiro e esperávamos pelo dia 24 para receber a pensão”.
Com a mudança, deixaram de suportar várias despesas fixas daquela habitação, incluindo as faturas de água e eletricidade, o condomínio, a garagem e a Internet doméstica. Isso não significa que tenham deixado de precisar desses serviços, mas que desapareceram os encargos associados à manutenção da casa anterior.
Trocaram a casa por uma autocaravana de sete metros
O casal passou a viver numa Fiat Ducato Maxi, batizada de “La Vaca”, que tinha 27 anos à data do testemunho. Segundo a descrição publicada pela Motorpasión, são os terceiros proprietários do veículo, que transformaram na sua residência permanente.
A autocaravana passou a concentrar aquilo de que precisam para o dia a dia, obrigando também a viver com menos objetos. Ana descreve os rendimentos da reforma como modestos, mas afirma que conseguiram reduzir muito as despesas. Fernando resume a diferença dizendo que agora lhes fica dinheiro na conta no final do mês.
Fazem as próprias reparações para gastar menos
Outra forma de reduzir despesas passa pela manutenção da autocaravana. Depois de detetarem um problema numa das paredes, decidiram fazer os trabalhos por conta própria. Segundo o relato reproduzido pela Marie France, a intervenção demorou cinco meses e custou 1.631 euros, incluindo a pintura exterior. Fernando afirmou que só a pintura, se fosse entregue a profissionais, lhes teria custado mais de 3.000 euros.
A poupança não eliminou, porém, todas as dificuldades para financiar a reparação. Numa notícia publicada a 11 de setembro de 2026, o Vozpópuli refere que o casal contou ter recorrido a um empréstimo para suportar os trabalhos. Fazer a intervenção por meios próprios permitiu-lhes, ainda assim, reduzir o custo que dizem ter sido orçamentado.
Nem todas as despesas desaparecem
Viver numa autocaravana não significa viver sem custos. O casal continua a ter despesas com alimentação, combustível, gás, seguro, telemóveis e manutenção do veículo. A diferença está na redução dos encargos fixos associados à antiga habitação.
O combustível é uma das despesas que varia com o ritmo das viagens. Segundo o testemunho reproduzido pelo jornal La Razón, Fernando e Ana ajustam as deslocações ao orçamento: percorrer menos quilómetros permite reduzir esse encargo.
A experiência não demonstra, contudo, que uma autocaravana seja automaticamente uma solução mais barata para todas as pessoas. Fernando admitiu, nas declarações citadas pelo El Español, que nunca tinham calculado detalhadamente as despesas. A melhoria que descrevem assenta sobretudo na constatação de que, ao contrário do que acontecia antes, lhes sobra dinheiro no final do mês.
A mudança foi também uma escolha de estilo de vida
Além da componente financeira, o casal diz ter alterado a forma como encara o consumo e os bens materiais. Num espaço reduzido, acumular objetos torna-se difícil, o que os levou a dar maior importância aos passeios, às paisagens e ao tempo passado juntos. Ana resume essa mudança com a ideia de que “menos é mais”.
No caso deles, a reforma deixou de estar tão condicionada pelos encargos da casa. Fernando e Ana não apresentam a autocaravana como uma vida sem despesas, mas como uma escolha que, segundo o seu testemunho, lhes permitiu ganhar liberdade e algum desafogo financeiro.
Problrmas de habitação estendem-se a Potugal
Em Portugal, a pressão dos custos da habitação ajuda a perceber porque é que soluções alternativas começam a atrair mais pessoas, sobretudo quem vive com rendimentos baixos ou pensões modestas. Segundo o INE, a renda mediana dos novos contratos de arrendamento no país atingiu 9,46 euros por metro quadrado no 1.º trimestre de 2026, enquanto o preço mediano das casas transacionadas chegou aos 2.337 euros por metro quadrado no mesmo período, valores que mostram como ter ou manter uma casa pode pesar fortemente no orçamento familiar. Neste contexto, despesas fixas como renda ou prestação, água, luz, condomínio e Internet continuam a consumir uma fatia significativa do rendimento mensal de muitos agregados, o que ajuda a explicar porque algumas pessoas procuram estilos de vida mais simples e baratos para tentar recuperar margem no fim do mês.
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