A alegada existência de um documento secreto norte-americano que descreve uma estratégia para afastar quatro Estados-membros da União Europeia (UE) voltou a colocar a política externa dos Estados Unidos no centro do debate europeu. De acordo com o jornal Correio da Manhã, um site de defesa norte-americano afirma ter acedido a um plano que propõe a saída da Áustria, Itália, Hungria e Polónia da UE, integrando estes países numa iniciativa denominada Make Europe Great Again.
O tema ganhou dimensão pública por surgir poucos dias depois de Washington ter apresentado a sua nova Estratégia de Segurança Nacional, documento onde se alerta para uma possível “aniquilação civilizacional” na Europa.
O conteúdo referido pelo portal norte-americano, One Defense, descreve uma aproximação aos governos alinhados com valores soberanistas, enquadrada numa leitura política próxima da de Donald Trump. Segundo a mesma fonte, este plano envolveria apoio a movimentos que defendem agendas conservadoras, numa tentativa de reforçar ligações com líderes, como Viktor Orbán. A Casa Branca rejeitou entretanto a existência de qualquer estratégia dessa natureza, mas a discussão instalou-se no espaço político europeu.
Reações europeias às críticas americanas
De salientar que as recentes críticas norte-americanas às políticas europeias desencadearam respostas imediatas. Sublinha a RTP que António Costa recusou qualquer interferência externa na política europeia, afirmando que os Estados Unidos não podem substituir os cidadãos europeus na escolha dos seus representantes. A intervenção decorreu no Instituto Jacques Delors, onde o antigo primeiro-ministro português destacou que ameaças desse tipo colidem com princípios fundamentais da democracia europeia.
A definição da nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos reforçou o debate. Escreve o canal público que o documento formaliza a ofensiva diplomática norte-americana, destacando críticas às instituições europeias, às políticas migratórias e ao que Washington entende como limitações à liberdade de expressão. Na mesma análise, são ainda referidas preocupações com o decréscimo das taxas de natalidade e com a perda de identidade cultural na Europa.
O papel das instituições europeias
A reação das estruturas da União Europeia não tardou. Refere a mesma fonte que o presidente do Conselho Europeu salientou que os EUA não podem substituir a Europa nas decisões sobre liberdade de expressão, sublinhando que as diferenças entre ambas as partes vão além de divergências estratégicas. O responsável lembrou que, apesar das tensões, os Estados Unidos permanecem um parceiro relevante, tanto em termos económicos como diplomáticos.
A mesma intervenção incluiu referências à Rússia, cuja posição sobre o novo enquadramento norte-americano foi considerada um sinal preocupante. O responsável europeu defendeu a necessidade de reforçar a soberania do bloco, sublinhando que a Europa deve manter autonomia estratégica perante parceiros e adversários.
O documento norte-americano em detalhe
As informações constantes do documento norte-americano identificam riscos associados ao futuro da Europa caso se mantenham as tendências atuais. O texto prevê que o continente possa tornar-se irreconhecível em duas décadas, apontando para a necessidade de restaurar a supremacia norte-americana noutros territórios e de limitar migrações em larga escala. Nesse contexto, destaca-se também a intenção de reajustar a presença militar norte-americana em várias regiões do mundo.
Conforme a RTP, o documento sustenta que a era das migrações massivas deve terminar e que a proteção das fronteiras surge como um dos principais elementos da segurança nacional norte-americana. A estratégia prevê ainda a reavaliação de vários teatros operacionais, ajustando prioridades conforme a importância estratégica para os Estados Unidos.
















